A Pátria ideal já existe

No livro A Verdade da Vida, volume 37, o mestre Masaharu Taniguchi nos diz que o Japão não é mera extensão de terra, mas a própria Ideia da Grande Harmonia, a qual  se projetou sobre a face da Terra, tomando a forma de “fundação do Japão”. Foi o Espírito da Grande Harmonia que desceu dos céus com a finalidade de harmonizar todos os países. Por isto o Imperador, ao estabelecer sua capital, a chamou de Yamato (Grande Harmonia) e até hoje o Japão é reconhecido como a Cultura do Yamato, a cultura da Grande Harmonia. O Brasil também não é mera extensão de terra. É a ideia da Cruz Verdadeira, a Cruz que anula os pecados, a Cruz de Cristo (Imagem Verdadeira) que se projetou sobre a face da Terra.

O mestre Masaharu Taniguchi escreve que “A nação japonesa não é mistura nem um conjunto  de território, soberania e povo. A nação japonesa é nação ideal da grande harmonia.” Mas e quanto à nação brasileira? Sobre isto constam as seguintes palavras de Rodrigo de Melo Franco, ex-diretor do SPHAN (Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), no livro Morte da Cultura Nacional:

Somente a extensão territorial, com seus acidentes e riquezas naturais, somada ao povo que a habita, não configuram de fato o Brasil, nem correspondem à sua realidade. Há que computar também, na área imensa povoada e despovoada, as realizações subsistentes dos que a ocuparam e legaram às gerações atuais: a produção material e espiritual duradoura ocorrida do norte ao sul e de leste a oeste do País, constituindo as edificações urbanas e rurais, a literatura, a música, assim como tudo o mais que ficou em nossas paragens, com traços de caráter nacional, do desenvolvimento histórico do povo brasileiro.

 No ano de 1500, quando os portugueses chegaram ao Brasil desembarcaram em uma faixa de terra que acreditavam tratar-se de uma ilha, por isso chamaram o local de Ilha de Vera Cruz. Depois descobriram tratar-se de uma enorme faixa continental e assim alteraram o nome para Terra de Santa Cruz, somente com a descoberta do pau-brasil em 1511, a região passou a ser conhecida como Brasil.

No livro Reverenciando-o como Mestre, Respeitando-o como Marido a professora Teruko Taniguchi comenta que após o mestre Masaharu Taniguchi haver indicado a área onde deveria ser construído o Templo Matriz de Sumiyoshi, na propriedade da Seicho-No-Ie em Nagasaki, descobriram que desde tempos remotos a área era chamada Ookami-daira (Grande Planície de Deus). Também descobriram que o local onde foi construída a residência do Supremo-Presidente era “Taniguchi” (Seihi-cho, Jikiba-go, Nakiri-Taniguchi) desde a antiguidade. A professora considerou estes fatos como bom augúrio e um sinal de que estavam sendo abençoados por Deus. Também considero como bom augúrio o fato de o primeiro nome atribuído ao Brasil ser Vera Cruz (Cruz Verdadeira) e depois Santa Cruz. Creio que os portugueses, que atravessaram o mar em condições extremas e, cercados de incertezas, intuitivamente vislumbraram a missão espiritual do Brasil.

Podemos ler o seguinte no livro A Verdade, volume 1: “Se houver quem considere que foi a reunião de pessoas oriundas de Kumaso, de Izuno, de Ezo e dos mares do Sul que formou o povo japonês e criou o país chamado Japão, estará analisando a formação de um povo através da visão materialista”. O Brasil, tampouco, se originou de uma reunião de pessoas. Não devemos considerar que o Brasil resulta da reunião de índios que aqui estavam e de portugueses e africanos que vieram de além-mar, além de imigrantes vindos de todas as partes do mundo. O Brasil é uma Nação surgida sob a égide da Cruz de Cristo, a cruz que anula os pecados da humanidade. A Cruz de Cristo é a anulação do pecado, da matéria e do materialismo. Creio sinceramente que os portugueses, movidos pelo Espírito Santo, tiveram uma intuição profética e por isto chamaram o Brasil de Vera Cruz (Cruz Verdadeira) e Santa Cruz. Em uma palestra proferida em 1963, no Brasil, na Academia de Ibiúna, o mestre Masaharu Taniguchi disse o seguinte[1]: “O Espírito Santo Escolheu o Brasil para ser o centro de divulgação da Essência da verdadeira religião, seja ela cristianismo, budismo ou qualquer outra. É por isso que a Seicho-No-Ie vem se expandindo extraordinariamente no Brasil. O Espírito de Deus se manifestou e continua a se manifestar a cada pessoa que acredita na Seicho-No-Ie. […] Os senhores não salvam as pessoas com sua própria força. É Deus que os guia, dizendo: ‘Todas as religiões do mundo estão sendo transmitidas com preconceito e deturpação. Preguem a Verdade começando pelo Brasil, porque o povo brasileiro está mais apto a aceitar a Verdade segundo a qual a ‘humanidade está isenta do pecado’, pois é aqui a terra santa adequada ao cristianismo do ‘grande veículo’ (em analogia ao chamado Budismo do grande veículo)’.”

Em tudo deve existir um centro e tudo prospera quando há convergência ao centro. Este é um ensinamento fundamental da Seicho-No-Ie. Em A verdade da Vida, volume 27 o mestre Masaharu Taniguchi diz que “Nós, japoneses, vivemos no ponto chamado agora, dentro da história do Japão. Obviamente, o nosso país teve altos e baixos, mas em nenhum momento se abalou, e alcançou o progresso que temos hoje, graças à presença inabalável do Imperador como centro de gravidade da nação, permitindo que o Japão sempre se reerguesse das situações difíceis tal como João-teimoso, que tem o peso equilibrado no centro de sua base. Não devemos ser ingratos, esquecendo-nos dos benefícios que recebemos dos sucessivos imperadores”.

Nós brasileiros também vivemos no ponto chamado agora, dentro da história do Brasil. Há mais de cem anos nosso País é republicano e não temos uma figura de referência como um Imperador. Sempre tive dúvida de como definir o “centro de gravidade” de nossa nação. Mas no livro Viver Junto com Deus – A Verdade em 365 Preceitos há o seguinte texto, que elucidou a dúvida: “O que está em desacordo com a Verdade é conceito errôneo de democracia que deixa de lado o princípio fundamental de que em tudo existe um centro. As pessoas também possuem cada qual o seu centro espiritual. E uma democracia em que cada pessoa age em conformidade com a orientação do seu centro espiritual não desvia do caminho certo”. Quando a maioria do povo brasileiro começar a viver em conformidade com seu “centro espiritual” haverá a verdadeira revolução, mas não a partir de disputas ou lutas de classes.

As ideologias materialistas se apoderaram das mais variadas bandeiras, como a da moralidade e ética, da preservação ambiental, dos diretos das minorias e, sobretudo, dos direitos humanos, mas o respeito à dignidade humana só pode nascer da visão do homem como ser espiritual, porém, se partirmos da visão de que o ser humano é uma existência material, os mais elevados ideais, seguramente, se degenerarão para o extremo egoísmo, origem da corrupção e decadência moral.

Se não reconhecermos que o ser humano é existência espiritual, não será possível respeitar os verdadeiros direitos humanos. O respeito à Vida humana só pode nascer do reconhecimento de que ela é de natureza divina e é una à Vida do Universo. Em nosso país os professores e intelectuais materialistas, aliados aos meios de comunicação, incutindo nos jovens, de maneira insidiosa, uma visão de mundo baseada em ideologias materialistas e na ideia de luta de classes, por um lado e na busca do sucesso a qualquer preço, por outro, vão, cada vez mais, contaminando a cultura com ideais materialistas.

A sociedade imperfeita não existe. Ela é apenas manifestação das ilusões do povo, acumuladas até agora. A Pátria ideal já existe aqui e agora e está em vias de se manifestar. Como cidadãos desta grande Nação, participemos ativamente das atividades civis, sem perder de vista a grande luz espiritual do Mundo da Imagem Verdadeira.

[1] (TANIGUCHI, Masaharu in: MATSUDA, Miyoshi. A Luz Avança Transpondo Fronteiras, 2ed. São Paulo: Seicho-No-Ie do Brasil. 2008, p.135)

 

 

Aspirante a Preletor da Sede Internacional Eduardo Nunes da Silva 

 Publicado na revista Mundo Ideal #263 – Junho/2016

 

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