A Verdadeira Liberdade

Muitas pessoas pensam que liberdade consiste em fazer o que elas bem entendem, sem se importarem com os outros. Essa ideia é totalmente equivocada. A liberdade somente é verdadeira quando está acompanhada pela ordem.

Por exemplo, quem é motorista sabe que existem leis de trânsito. É graças a essas leis que podemos dirigir com ordem. Já pensou se cada motorista resolver fazer o que bem entender, a seu bel-prazer, quando estiver dirigindo? O trânsito se tornaria caótico, e teríamos muitos acidentes nas vias públicas. Mas, graças às leis, podemos trafegar com segurança e chegar ao nosso destino sãos e salvos.

O prof. Masaharu Taniguchi escreve em O Livro dos Jovens, p. 277, que: “A liberdade está intrinsecamente ligada à ‘ordem’ que triunfa sobre a confusão”. Ou seja, no caso de respeitar as leis de trânsito, equivale a manter a “ordem” de maneira que todos possam trafegar livremente.

Todos nós somos dotados de Vida. Ainda em O Livro dos Jovens, o prof. Masaharu Taniguchi nos ensina que: “A Vida é livre por natureza. E onde surge a Vida, estabelece-se a ordem”. O prof. Masaharu Taniguchi quer dizer que onde existe Vida existe criação.

Por exemplo, se você quer construir uma casa, é preciso assentar os tijolos ordenadamente para levantar as paredes de cada cômodo, para que suportem o peso do telhado. Colocando cada material em ordem, em seu devido lugar, constrói-se uma casa. Na sua vida, tudo ocorre ordenadamente. Talvez você não perceba, mas sua vida sempre se manifesta de maneira ordenada. Para construir uma casa, para dirigir um carro, para fazer um bolo, para desfrutar férias, para escrever etc.

Os materiais inanimados, ou materiais inorgânicos, não conseguem se organizar, porque neles não existe vida. Porém, um material orgânico (elemento vivo), como, por exemplo, uma árvore, cresce de maneira ordenada, sempre para cima e em direção à luz. Portanto, “estar vivo é manter-se organizado”, conforme escreve o prof. Masaharu Taniguchi.

Em O Livro dos Jovens, encontramos outro exemplo, p. 279, fazendo menção a uma orquestra. A música é bela quando todos os componentes da orquestra a executam em harmonia, cada músico obedecendo ao maestro, este acompanhando a partitura, compasso a compasso, observando a sequência das notas, cada uma no instrumento correto e em seu tempo certo de execução. Já pensou se cada músico tocasse seu instrumento na hora mais conveniente para ele, sem respeitar a partitura, o ritmo e os demais componentes da orquestra? Não teríamos uma música, mas algo parecido com aquele conjunto de sons emitidos quando os músicos estão afinando cada qual seu instrumento antes de iniciar a sinfonia: o som que ouvimos não é propriamente uma música, mas um conjunto de ruídos sem nexo e um tanto irritante aos ouvidos. Portanto, para se tocar boa música, é preciso ter ordem, respeito às regras musicais, com cada músico respeitando a harmonia, tendo a liberdade de tocar com desenvoltura e dando a sua contribuição para fazer da sinfonia uma obra de arte.

Um dos lugares onde temos mais liberdade é o nosso lar. Porém, a liberdade que temos no lar vem da ordem, do respeito e da reverência aos nossos pais. Um lar sem ordem se torna um caos. Um lar sem respeito aos pais não tem harmonia. Um lar sem reverência aos pais se torna um inferno.

Os pais são a nossa base, o nosso ancoradouro, o porto seguro da nossa vida. E o que dá solidez a essa base é a gratidão a eles. O jovem que não sente gratidão aos seus pais dificilmente terá sucesso em sua vida. É como construir um castelo na areia: na primeira onda de dificuldade, o castelo construído sem amor e gratidão aos pais irá desmoronar. Portanto, para ter sucesso na vida, é necessário em primeiro lugar amar, respeitar e demonstrar profunda gratidão aos pais. Dessa maneira, consegue-se viver em harmonia, em ordem, com liberdade e em paz.

Nas “Revelações Divinas da Grande Harmonia”, encontramos um trecho que assim diz: “Mesmo que agradeças a Deus, se não consegues, porém, agradecer a teus pais, não estás em conformidade com a vontade de Deus”. Deus é lei e, portanto, a vontade de Deus é lei também. Onde existe o cumprimento da lei, manifesta-se a ordem, a liberdade e a harmonia. Se você realmente quer ter tudo na vida, cumpra a lei.

Outra comparação que podemos fazer é com o ato de fumar. Você tem todo o direito de fumar, desde que não incomode os outros com o seu vício. Antigamente, não existiam leis regulamentando o consumo de cigarros pelos usuários, porém, hoje, temos uma série de leis regulamentando o seu uso. Por exemplo, a lei antifumo proibiu o uso do cigarro no interior de recintos fechados, em fumódromos e em ambientes coletivos. Não se pode fumar em bares, restaurantes, escolas, cultos religiosos, ambiente de trabalho, veículos de transporte coletivo, táxis etc.

Não sou contra os fumantes; já fui fumante por muito tempo e conheço a dificuldade de abandonar esse vício. Porém, estudos mostram que 200 mil pessoas morrem de câncer todo ano em razão do fumo. Conforme dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o fumo se tornou um problema social, e se deveria tomar uma providência. Hoje, todos respeitam a lei, e a ordem foi estabelecida.

Em O Livro dos Jovens (p. 282), o prof. Masaharu Taniguchi escreve que: “A sensação de falta de liberdade manifesta-se concretamente sob forma de escravidão ao fumo”. A Seicho-No-Ie nos ensina que devemos viver de acordo com o mundo da Imagem Verdadeira, um mundo de infinita liberdade em que se manifesta a verdadeira natureza do homem. Quando a “liberdade natural” vence a “liberdade dos caprichos”, encontramos a verdadeira liberdade.

Para ilustrar esse ponto, transcrevo um trecho de O Livro dos Jovens (p. 280):

Confúcio disse: “Agora aos setenta anos de idade, ajo conforme a minha vontade, e, no entanto, os meus atos não violam as leis”. Esse é o estado que se alcança quando a “liberdade natural” vence a “liberdade dos caprichos”. Quando o antigo sábio disse “Na submissão está a liberdade”, ele quis dizer que a liberdade do “homem verdadeiro” existe quando a “liberdade dos caprichos” se submete à “liberdade natural”. É imprescindível, pois, que saibamos a distinção entre o “homem verdadeiro” e o “homem falso”. A liberdade do “falso homem” manifesta-se sob a forma de total liberdade dos caprichos, ao passo que a liberdade do “homem verdadeiro” (verdadeira natureza do homem) manifesta-se sob a forma de condutas que estão em “natural harmonia” com a lei e a ordem. Uma pessoa cuja conduta está em choque com regras, leis e ordem, ainda não é dona da verdadeira liberdade.

O único meio de alcançarmos a verdadeira liberdade é aprofundarmos a conscientização da nossa Imagem Verdadeira. Para isso, devemos exercitar as três práticas religiosas importantes da Seicho-No-Ie, que são:

  • A prática da Meditação Shinsokan.
  • A leitura de sutras sagradas, de Cantos de Louvor, de livros e de outras publicações da Seicho-No-Ie.
  • Fazer o bem ao próximo, com atos de amor e caridade.

 

Preletor da Sede Internacional Junji Miyaura

 Publicado na revista Mundo Ideal #268 – Novembro/2016

 

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