Aborto: Um crime contra a vida

Aborto: Um crime contra a vida

A ciência e a tecnologia, hoje, estão avançadas em todos os sentidos, mas a humanidade pouco sabe sobre a vida.

A Vida é um fenômeno espiritual; por isso, para falar sobre o mistério da concepção de um filho, não devemos opinar sob o ponto de vista da dimensão material e física, afirmando que a mulher tem o direito de escolher se aborta ou não um filho. Um filho não se aloja no ventre materno por obra dos seres humanos. Os materialistas que não aceitam a dimensão espiritual não conseguem entender que a Vida é atributo de Deus.

O livro Orientação para Mães esclarece sobre essa questão :

 

Para que possamos respeitar a Vida, é preciso compreender antes que a vida humana é Vida de Deus, que Deus se manifesta sob a forma concreta de ser humano. Somente com esta compreensão é que poderemos respeitar e reverenciar a Vida. (p. 63)

 

A engenharia genética consegue diagnosticar a vida intrauterina, em que uma célula masculina ganha na corrida e consegue chegar à trompa, onde funde-se com a célula feminina, formando o ovo, que se aninhará nas paredes do útero. Mas as células (tanto o espermatozoide como o óvulo) não têm inteligência própria. O que os comanda é o Espírito. A formação do ovo não pode ser entendida como coisa mecânica. Quem comanda todo esse processo de fecundação, multiplicação das células e aninhamento no útero é o Espírito, que coordena toda a concepção. Por isso, no Capítulo “Homem”, da Sutra Sagrada Chuva de Néctar da Verdade, está assim escrito:

 

A matéria é, antes, sombra do espírito, produto da mente,

Assim como o casulo é produto do bicho-da-seda.

Não é no casulo preexistente que se aloja o bicho-da-seda;

O bicho-da-seda é que, expelindo o fio, constrói o casulo e nele se aloja.

Também o homem, cuja natureza real é Vida-Espírito, tece o casulo de

carne com os fios da mente e nele instala a si próprio e seu espírito;

Somente então o Verbo se faz carne.

 

Esse é o fenômeno da fecundação que cientista nenhum consegue fazer; só Deus.

No segundo mês de gestação, começam a surgir fenômenos diferentes: a mãe tem mais sono, fica mais sensível. É o clamor do feto, que pede para a mãe se preservar mais. A mulher é cocriadora da vida com Deus. Foi enxertada nova vida em sua vida. Por isso, houve um filósofo que disse: “Pela maternidade, a mulher se aproxima de Deus em tamanho grau que nenhum outro ser jamais conseguiria”.

Com o aborto, é cortado o vínculo espiritual e físico; a nova vida fica semimaterializada. É como se alguém estivesse construindo sua casa. Ele compra pedra, traz cimento, areia e, repentinamente, vem um trator e destrói a construção. Ou você fica muito triste ou revoltado.

Por que as pessoas que alegam a necessidade de aborto de feto excepcional, detectado pelo sofisticado exame da amniocentese (engenharia genética), que acusa se as células do feto são normais ou não, acham que essa criança vai ser infeliz? Será que temos o direito de afirmar que temos certeza do futuro de nossos filhos? Uma criança pode nascer saudável e forte e, repentinamente, contrair uma doença grave e encerrar precocemente a vida.

Se um filho nasceu com síndrome de Down, é porque seus pais estão na condição de pais especiais. São privilegiados, pois foram beneficiados com a oportunidade de aprender a amar o diferente.

Afirmamos que o dom da vida é dádiva de Deus, porque:

 

  • – Há mulheres que desejam a gravidez, mas não conseguem;
  • – Outras que engravidam mesmo não desejando;
  • – Não se pode escolher o sexo da criança.

 

O DOM DA MATERNIDADE

A maternidade é uma função que pertence à própria natureza da mulher, não só do ponto de vista moral, como também do ponto de vista psicológico e biológico. O livro Pela Paz dos Anjinhos nos ensina o seguinte:

 

O instinto materno se fortalece quando a mulher engravida. A cada dia que passa, o amor pelo feto aumenta e a mulher deseja firmemente trazê-lo ao mundo. Essa é a natureza da mulher: cumprir os desígnios de Deus de “multiplicar e perpetuar a espécie”. Pois bem, interromper uma gestação intencionalmente causa sempre desarmonia conjugal, porque o desejo natural de um casal é trazer o filho ao mundo e criá-lo. Abortá-lo é desprezar essa natureza, é ignorar a razão de ser de uma esposa e de um marido. (p. 163)

 

O corpo da mulher já foi moldado para o dom da maternidade: os quadris largos, os seios, o corpo macio para o bebê. Ainda que a mulher aparentemente não queira este filho, ela sentirá um apego inconsciente por ele. Isso poderá se evidenciar, mais tarde, após o aborto praticado, por depressões sérias ou até mesmo por psicoses, que nada mais são que reações naturais profundas a um ato que agiu contra a natureza da mulher.

Este é um dos fatores menos considerados ao se decidir fazer um aborto.

O aborto é uma operação de risco, que não tem semelhança alguma com nenhum parto nem com um aborto natural, ao contrário do que pode parecer à primeira vista.

Durante um parto, os médicos simplesmente se encarregam de ajudar a natureza, que é quem realmente faz com que a criança nasça, quando chega a sua hora.

O aborto natural ocorre, em geral, quando a natureza expulsa uma criança já morta de dentro do útero.

Durante um aborto provocado, a natureza não colabora com os médicos. Ao contrário, não estando previsto que o feto deve ser expulso, ela se sobrepõe, tornando o aborto um ato de violência contra o corpo da gestante.

A criança, o mais comumente, precisa ser retalhada em pedaços dentro do próprio útero e tirada de lá à força, o que provoca uma série de complicações.

Por ex.: Nos hospitais da Inglaterra, onde o aborto é legalizado, de 1.182 abortos, 17% perderam mais que 50 ml de sangue, 9,5% necessitou de transfusão, em 4% ocorreram lesões cervicais, em mais de 1% o útero foi perfurado, 27% das mulheres tiveram febre de mais de 38% por mais de 24 horas.

Enfim, mesmo quando praticado em hospital, devidamente especializado e equipado, o aborto não é uma operação simples e não sujeita a complicações sérias como muitos pensam.

 

No livro Pela Paz dos Anjinhos, o autor, prof. Kamino Kusumoto, cita um trecho de autoria do prof. Seicho Taniguchi em que ele fala sobre a gravidade do aborto:

 

A maior injustiça que os pais cometem em relação aos filhos é a prática do aborto provocado. É uma injustiça extremada a morte de uma criança pelos próprios pais, comparada com o excesso de mimo dedicado aos irmãos viventes. Especialmente as crianças abortadas sob pretexto fútil, como motivos econômicos, são vítimas de grande desgosto e sofrimento. Por outro lado, os filhos que recebem mimo excessivo sofrem também com a expectativa exagerada dos pais quanto ao seu comportamento ou desempenho. No dia em que descobrirem que seus pais foram capazes de matar outros filhos por conveniência própria, perderão o respeito e a confiança neles, e esta desconfiança se estenderá a todos os adultos. Esses filhos estarão se vingando no lugar de seus irmãos que não chegaram a nascer, tornando-se rebeldes ou agressivos. E, inconscientemente, os pais estarão se punindo para resgatar o remorso que a lembrança do aborto lhes traz. (prólogo).

 

É imprescindível que todos se conscientizem de que provocar aborto é um grave crime, um verdadeiro assassinato. Mas o que deve fazer a pessoa que já praticou esse crime e vive oprimida pelo sentimento de culpa? No mesmo livro citado, o prof. Kamino Kusumoto escreve sobre uma senhora que veio lhe pedir orientação porque abortara sete vezes e sempre tinha medo de que acontecesse algo ruim em sua vida, o que realmente aconteceu: seu filho começou a se recusar a frequentar a escola. É um exemplo de como a mente culpada atrai acontecimentos infelizes, como forma de se penitenciar.

Por isso, a orientação a uma mulher que praticou o aborto é que ela se arrependa do profundo do coração por ter interrompido voluntariamente a gestação e não ter permitido o seu nascimento. Esse arrependimento chegará até o espírito do feto abortado, que até então se sentia abandonado e marginalizado por nunca ter tido o aconchego no colo da mãe, de nunca ter mamado no seio dela, fazendo com que ele se sinta abraçado, amado e reconhecido pela mãe. Em seguida, deve-se dar nome à criança abortada e realizar oração para a sua alma, oferecendo-lhe a leitura da Sutra Sagrada Chuva de Néctar da Verdade ou Palavras do Anjo.

No livro O Amor entre Pais e Filhos, de autoria do prof. Seicho Taniguchi, há vários relatos de mães que superaram problemas somente depois que começaram a oferecer oração ao anjinho abortado, como o caso de uma jovem que desde a idade de 14 anos sofria de anemia perniciosa, uma doença em que o sangue se torna extremamente ralo, sendo de difícil cura. Qualquer esforço, ou aborrecimento, provocava hemorragia nos rins e nos intestinos, obrigando a jovem a submeter-se frequentemente à transfusão de grande quantidade de sangue. A situação se agravou quando contraiu hepatite por soro homólogo. Além disso, era obrigada a tomar 30 comprimidos por dia de um remédio que lhe causava efeitos colaterais violentos, como inchaço do rosto, acumulação de gordura pelo corpo todo, que a fazia engordar sem parar.

Quando a sua mãe conheceu a Seicho-No-Ie, foi-lhe perguntado se havia abortado alguma criança, e ela se lembrou de que abortara duas vezes: uma antes do nascimento dessa filha e outra depois. Ao ser orientada a oferecer a leitura diária da Sutra Sagrada, ela colocou isso em prática, com toda a seriedade, ao mesmo tempo em que a filha passou a manifestar um profundo sentimento de gratidão aos pais. Passados alguns dias, a doença da filha desapareceu por completo.

 

“Devemos evitar todo e qualquer ato que sacrifique os nossos semelhantes, fazendo com que a prosperidade e a felicidade sejam o resultado direto do relacionamento do homem com Deus.” (Pela Paz dos Anjinhos, p. 187)

 

Preletora da Sede Internacional Marie Murakami

 

Publicado na revista Mundo Ideal #239

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