Alimento orgânico

A busca por saúde, qualidade de vida e respeito ao meio ambiente tem feito muitos consumidores se renderem aos alimentos orgânicos. Frutas, verduras, hortaliças, cereais – a cada dia mais variedades de alimentos são  produzidos de forma sustentável.

Os alimentos orgânicos são todos aqueles produzidos em sistemas que não utilizam agrotóxicos ou insumos artificiais em sua produção, como inseticidas, herbicidas, fungicidas, nematicidas ou adubos químicos. Por conceito, eles também não podem ser organismos geneticamente modificados (OGM), como os transgênicos. Na verdade, ele é muito mais que um produto sem agrotóxicos e sem aditivos químicos. É o resultado de um sistema de produção agrícola que busca manejar de forma equilibrada o solo e demais recursos naturais (água, plantas, animais, insetos, etc.), conservando-os a longo prazo e mantendo a harmonia desses elementos entre si e com os seres humanos.

Esses alimentos priorizam a preservação da saúde do homem, dos animais e do meio ambiente. Sua definição na lei nº 10.831, de 23 de dezembro de 2003, ainda afirma que o sistema orgânico de produção é aquele que busca aperfeiçoar o uso de recursos naturais e socioeconômicos, respeitar a integridade cultural das comunidades rurais e reduzir a dependência de energias não renováveis.

O alimento orgânico tem como objetivos a auto-sustentação da propriedade agrícola no tempo e no espaço, a maximização dos benefícios sociais para o agricultor, a minimização da dependência de energias não renováveis na produção, a oferta de produtos saudáveis e de elevado valor nutricional, isentos de qualquer tipo de contaminantes que ponham em risco a saúde do consumidor, do agricultor e do meio ambiente, o respeito à integridade cultural dos agricultores e a preservação da saúde ambiental e humana.

Nada mais “local” do que a agricultura orgânica. Para ofertar ao consumidor alimentos saudáveis e mais nutritivos, o agricultor necessita trabalhar em harmonia com a natureza, recorrendo aos conhecimentos de diversas ciências como a agronomia, ecologia, sociologia, economia entre outras.

O sistema de manejo orgânico é um processo que apresenta particularidades a cada propriedade onde é executado. As peculiaridades de solo, fauna, flora, ventos, posição em relação ao sol, recursos hídricos, além de outros, exercem influência sobre o sistema. Exige conhecimento profundo sobre a propriedade, de forma a encontrar soluções locais para cada tipo de cultivo, criação ou problema encontrado no exercício da atividade.

A produção orgânica obedece a normas rígidas de certificação, segundo a Instrução Normativa 007 de 1999(NR007, 1999), os sistemas de produção de alimentos para receberem a denominação de orgânicos devem, obrigatoriamente, garantir ao consumidor a oferta de produtos saudáveis e de elevado valor nutricional, isentos de qualquer tipo de contaminantes que ponham em risco a saúde do consumidor, do agricultor e do meio ambiente. Isso significa não empregar nenhum produto ou método que possa comprometer a saúde humana ou do meio ambiente.

Na produção de alimentos vegetais, os sistemas orgânicos voltam-se para os solos, incrementando sua estrutura física e fertilidade naturais, de forma que ao nutrir os solos e os micro-organismos que nele vivem, as plantas serão indiretamente beneficiadas, uma vez que são através das raízes que elas se alimentam. Deixando clara a importância de se cuidar da mãe terra para manter as lavouras saudáveis. Contudo, não apenas os solos onde são semeados os cultivos são cuidados, o princípio da conservação ambiental é estendido para toda a propriedade. Ou seja, na propriedade também deverão ser preservados todos os recursos naturais existentes, tais como: nascentes de água, rios, matas ciliares, fragmentos florestais em locais proibidos de desmatamento ou com espécies de animais silvestres ameaçadas de extinção. O cumprimento da legislação ambiental existente é uma condição mínima para a propriedade ser reconhecida pelas entidades certificadoras de produtos orgânicos.

A preocupação em investigar a função do alimento dentro dos complexos processos metabólicos que ocorrem em nosso corpo e buscar sua relação com a prevenção ou tratamento de doenças crônicas demonstra a evolução das pesquisas em nutrição no século XX e início do XXI. Evolução que ocorreu não apenas nas técnicas, mas sobretudo na capacidade de ir além de aspectos meramente quantitativos (teores brutos de proteínas, vitaminas e sais minerais), buscando compreender também os aspectos qualitativos de nossa dieta.

Outra vantagem dos alimentos orgânicos é que, quando processados, estão livres de aditivos, conservantes sintéticos potencialmente ou substâncias cancerígenas, como os nitratos e nitritos. Todas essas substâncias estão citadas como de uso proibido nas normas de certificação desses alimentos (NR 007,1999). Para um alimento processado ser considerado orgânico e receber o selo de qualidade, é preciso que ele contenha pelo menos 95% de ingredientes originados da agricultura orgânica.

A cadeia produtiva de orgânicos pode ser dividida em cinco setores componentes: (a) produção de insumos; (b) produção e processamento primário; (c) distribuição; (d) certificação; (e) consumo.

Assim, podemos concluir que a qualidade de um alimento possui uma dimensão muito maior do que o simples conteúdo nutricional dos rótulos nas embalagens ou da aparência de frutas, legumes e verduras nas bancas de venda. É um conceito que abrange desde as práticas produtivas, passando pelo armazenamento, transporte, conservação, processamento e preparação final do alimento para consumo. Precisa do comprometimento do agricultor passando pelos transportadores, comerciantes e finalmente do consumidor para que um alimento possa expressar todo seu potencial de manutenção da saúde e prevenção de doenças. A boa notícia é que esse comprometimento ao longo de toda cadeia de produção já existe no mercado orgânico de alimentos, que sofre a permanente fiscalização das entidades certificadoras do setor. E mais: trata-se de um controle de qualidade que além de garantir alimentos mais saudáveis para os consumidores, também preserva a saúde dos agricultores e promove a conservação dos ecossistemas naturais.

Por Talyta Kurihara

2 respostas

Deixe uma resposta

Want to join the discussion?
Feel free to contribute!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *