Are you ready?

ARE YOU READY?

A vida está cada vez mais cheia de desafios. E a escola não te prepara para eles. 

O Livro dos Jovens, de autoria do prof. Masaharu Taniguchi, merece ter esse título. É impressionante como esse grande amigo, que me acompanha desde que ingressei na Seicho-No-Ie, em 1984, nunca envelhece.

E amigo, sabe como é, está sempre pronto para nos ouvir e sempre pronto para nos orientar. E não foi diferente desta vez, pois foi justamente o capítulo “Progrida infinitamente” que abriu a minha mente para uma questão muito simples: falar sobre estudo é falar sobre progresso, sobre ideal.

Veja o que está escrito na p. 71: “Aquele que mantém a mente despertada e vigilante e procura sempre melhorar a sua vida e o seu trabalho progride infalivelmente, mas aquele que se acomoda só terá de regredir”.

Pensemos a respeito do que está escrito logo no início da frase: “Aquele que mantém a mente despertada e vigilante…”. Pois bem, manter a mente nesse estado significa necessariamente estar se atualizando (estudando) constantemente, preparando-se sempre para o próximo passo. Não estou dizendo para o futuro, e sim para o próximo passo que poderá ser dado quando você terminar de ler este artigo. E não há algo mais fundamental do que o estudo para que você supere o estágio atual e avance rumo ao seu ideal.

Mas como você deve preparar-se em um cenário de tantas mudanças, de tantas novidades?

Se analisarmos um pouco a História, compreenderemos melhor como chegamos até aqui, o que era exigido das gerações anteriores e o que se espera das gerações atuais.

 

A escola e sua função de adaptação

Durante pelo menos dois séculos, os princípios de gerenciamento industrial saíram das fábricas para orientar muitas outras áreas da sociedade. Eficiência, eficácia, maximizar a produção, controlar as ações, padronizar as operações, racionalizar, controlar o tempo tornaram-se regras e sinais de processo civilizatório. Seu pai ou mesmo seu avô devem  ter escutado muito essas palavras. Ser um bom profissional era cumprir rigorosamente as instruções dos manuais e dos livros dos administradores de empresas.

Os princípios da racionalização foram muito bem-aceitos e incorporados no sistema educacional em todo o mundo. Formar trabalhadores produtivos adaptados aos sistemas fabris era a grande missão da educação. Assim sendo, o modelo educacional foi organizado para preparar trabalhadores produtivos capazes de se adequar ao centralismo e à hierarquização que já faziam parte da rotina do mundo do trabalho.

Alguns autores, e eu concordo com eles, afirmam que as escolas se tornaram um microcosmo das fábricas. O auge desse sistema foi chamado, pelos educadores, de tecnicismo. Prédios gigantescos, organizados por salas, estrutura hierarquizada, com sinal sonoro, para marcar o início e o fim de cada aula. Os alunos tinham programações rigorosas, com tempo determinado para cumprir as tarefas, que geralmente eram exercícios autoinstrutivos. As carteiras eram individuais, as provas padronizadas, e o desempenho era avaliado pela eficiência de suas respostas. As avaliações eram sempre individuais e não havia espaço para o trabalho coletivo. Ingressar no ano seguinte exigia do aluno ter de alcançar determinadas metas de aprendizagem, as quais não levavam em consideração os demais. Cada um por si, esse era o lema.

Você deve estar pensando: “Mas isso ainda é assim. Por que escrever ‘era desse jeito’ ou ‘foi assim’?”. Pois é, você tem toda razão. Usei os verbos no passado para descrever a escola, mas infelizmente eles poderiam ter sido usados no presente. E esse é o grande desafio para quem deseja preparar-se para os dias de hoje. Devemos compreender que o sistema educacional, e não estou aqui falando de seus professores em particular, não nos prepara para os desafios do presente. Pelo menos não como deveria.

Veja que cilada. De um lado, vivemos em um mundo que exige competências, habilidades que a formação escolar não ajudou a preparar. Por outro, muitos jovens, espero que não seja o seu caso, encontram-se perdidos em meio a suas conexões virtuais. E não estou preocupado em ser tachado de ser uma pessoa ultrapassada. Afirmo aos jovens que ser ágil com os dedos, principalmente com os polegares, não garante absolutamente nada. Ser expert em uso de buscador, para quem deseja algo grandioso na vida, não ajuda muito. Isso porque, se as informações acessadas não forem usadas para gerar conhecimento, suas habilidades manuais e de velocidade não o levarão a lugar nenhum.

O mundo mudou

Não há novidade alguma em dizer que o mundo mudou. Porém, é preciso saber para que direção essas mudanças estão caminhando, a fim de preparar-se para as áreas de conhecimento que já despontam como promissoras e adquirir habilidades que sua escola não ajudou a desenvolver.

Tecnologia da informação, biotecnologia, sistemas inteligentes de redes de distribuição de energia, ciências da Terra, ecologia, teoria de sistemas são algumas dessas áreas, e, independentemente de você querer ser psicólogo, médico, dentista, pintor, músico, motorista, fotógrafo, aventureiro, você precisa conhecê-las. E as habilidades vocacionais exigidas são: liderança situacional, comunicação em redes virtuais, aprendizagem colaborativa, construção de comunidades de aprendizagem. Mais além, parafraseando Jeremy Rifkin, devemos nos preparar para pensar e agir como parte de uma biosfera compartilhada.

Realmente é muita informação, não é mesmo? Você não sabe nem por onde começar? Fique tranquilo, porque aprendemos lendo os livros da Seicho-No-Ie que o mundo fenomênico é assim mesmo. Como uma onda no mar, este mundo está em constante modificação, e isso gera aquele friozinho na barriga.

Mas, se você é um líder da Associação dos Jovens da Seicho-No-Ie (AJSI), não tem motivo para se preocupar. Explico. Muitas habilidades exigidas para o mundo de hoje e que você não adquiriu, ou não vai adquirir devido às falhas do sistema educacional, a AJSI está ajudando a desenvolvê-las. Trabalhar em equipe, organizar eventos, preparar programações, comunicar-se em rede, auxiliar o próximo, coordenar estudos em grupo, ver o mundo como um todo. Viu só? Mas não podemos parar por aí. E para que tudo isso não se perca em meio ao agitado mundo fenomênico é preciso fixar seu ideal em uma base sólida, em algo que não seja inconstante. Essa base se chama mundo da Imagem Verdadeira, onde reside a sabedoria da Grande Vida do Universo.

Esforço pessoal, nesse momento, é imprescindível, porque você deve permanecer sempre em dia com as três práticas espirituais da Seicho-No-Ie: Meditação Shinsokan, leitura de sutras e livros da Seicho-No-Ie e a prática de amor ao próximo.

Assim explica o prof. Masaharu Taniguchi: “Ler atentamente os livros da coleção A Verdade da Vida, para assim se aprofundar na compreensão a respeito da relação entre Deus e o homem; fazer a Meditação Shinsokan, para que o sentimento de união com Deus fique fortemente gravado no subconsciente; vivenciar no cotidiano esse sentimento, praticando atos de amor e bondade ao próximo. Se você observar esses três pontos fundamentais, com certeza Deus Se manifestará em sua vida, concretizando a saúde e a felicidade”. (“Expressemos Deus em nós mesmos”, no “Nosso Modo de Viver”. Publicado na Fonte de Luz. nº 400, p. 27).

Preparando-se dessa forma, ou seja, buscando novos conhecimentos e habilidades e realizando as três práticas espirituais, o conhecimento intelectual, por meio do estudo, se transformará em uma percepção espiritual, e dessa forma será possível construir um ideal grandioso e caminhar rumo à sua concretização. Mesmo que surjam momentos de insegurança e incerteza, a sabedoria da Grande Vida sempre nos conduz de forma a realizar nossos desejos mais corretos.

Termino com uma frase que o nosso saudoso prof. Miyoshi Matsuda sempre dizia aos jovens que lhe pediam orientação: “Esforcem-se!”.

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Dica de leitura:  Para saber mais o que vem por aí nos próximos anos, recomendo a leitura do livro A Terceira Revolução Industrial, de Jeremy Rifkin.

No livro, Rifkin aponta a mudança do modelo centralizador, que foi erguido sob a Segunda Revolução Industrial, para um modelo colaborativo da Terceira Revolução Industrial. E o autor afirma: “Se o Brasil adotar esse modelo, pode ser a Arábia Saudita das energias renováveis e um dos líderes do século XXI”.

 

Preletor da Sede Internacional Marcos Rogerio Silvestri Vaz Pinto

 Publicado na revista Mundo Ideal #261 – Abril/2016

 

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