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Como foi 2015 pra você?

O findar de um ano e a oportunidade de se autoconhecer

Já estamos em dezembro! É o findar de mais um ano. Gostaria de convidar você, amigo leitor, amiga leitora da Mundo Ideal para viajarmos juntos nas asas, não da imaginação, mas nas asas da reflexão acerca deste período tão singular de um ano, que traz consigo ares enigmáticos que ao mesmo tempo mescla expectativa (nem sempre positiva) e esperança no próximo ano que já está por vir.

Para aqueles que tiveram nesse ano seus melhores dias, a insegurança e a expectativa daquilo que os espera no ano vindouro. Já aqueles que viveram experiências que preferem esquecer, o final de um ano celebra a esperança de dias melhores.

Por um motivo ou por outro é fato que nenhum mês do ano reúne em si tantas contradições simultâneas como dezembro: esperança e medo, paz e angústia, festa e solidão, alegria e tristeza, perdão e indiferença, união e desprezo.

E essas são condições perfeitas para se fazer um mergulho em si mesmo. Há cerca de dois mil e quinhentos anos Sócrates, tido como pai da filosofia, disse: Conheça-te a ti mesmo! Conhecer a si mesmo é fundamental para que uma pessoa possa exercer seu livre arbítrio.

Também Lao-Tsé, famoso filósofo da China antiga afirmou: Aquele que conhece os outros é sábio. Aquele que conhece a si mesmo é iluminado. O ser humano é fantástico e extraordinariamente misterioso. Você já deve ter ouvido esse ditado na boca de muitos pais: “A gente cria cinco filhos da mesma forma, mas cada um sai diferente”.

Isso se deve ao fato que cada ser humano é único em todos os tempos. Você é único em todos os tempos! Por isso, não deve jamais se comparar. Li certa ocasião que toda comparação é absurda, e isso é uma verdade irrefutável. Como é possível comparar qual cor é mais bonita, vermelha ou amarela? Azul ou verde? A beleza de cada cor está em ser ela mesma.

Igualmente a beleza de um ser humano está em ser ele mesmo. Mas, aqui pode surgir uma dúvida essencial: “Quem sou eu?”. As respostas serão variadas dependendo da visão que ele tem de si mesmo – um ser material ou um ser espiritual?

 

O verdadeiro ser humano é um ser espiritual

Na Seicho-No-Ie acreditamos que o verdadeiro ser humano é um ser espiritual, portanto, nossa busca do autoconhecimento parte sempre deste princípio. Nossa vida não começa no momento do nosso nascimento, nem termina quando da morte do nosso corpo carnal.

Precisamos refletir mais sobre o mistério da vida e da morte. No Livro O Amor tudo cura de autoria do professor Seicho Taniguchi ele discorre de maneira singular a esse respeito:

O fato de a Vida aparecer repentinamente e, depois, desaparecer inesperadamente é um fenômeno extremamente maravilhoso, e são nesses momentos que refletimos profundamente sobre a preciosidade da Vida.  A Vida é insubstituível. Nem dinheiro, fama ou posição social podem substituir a vida. Por isso, como consta nas Sete Declarações Iluminadoras da Seicho-No-Ie, devemos “glorificar a Vida e viver em fiel obediência à lei da Vida.

É quando despertamos para a preciosidade da Vida que sentimos pela primeira vez a alegria de viver. Sentimos profunda gratidão apenas pelo fato de Deus nos fazer viver. Não é gratidão apenas por esta vida fenomênica. Por trás desta manifestação de vida, aloja-se a Vida Verdadeira, eterna e indestrutível. É o Cristo Eterno, é a natureza búdica, é o Eu Verdadeiro, é uma parcela da Vida de Deus, e é exatamente esse fato que nos faz sentir imensa gratidão.

Somos filhos de Deus e essa é uma verdade incontestável! Costumo afirmar com frequência para mim mesmo que Deus é meu Pai e melhor amigo! Desde que despertei para essa verdade há trinta anos minha vida se transformou para melhor de tal maneira que as experiências que tenho vivenciado me faz pensar que já faz bem mais tempo.

Quando sentimos de todo nosso ser que somos os amados filhos de Deus e mais ainda, quando O temos também como nosso melhor amigo, a vida ganha um significado mais gratificante, do tipo “não vivo pela minha própria força, mas a vida perfeita de Deus que me faz viver”.

Para mudar o rumo de sua vida, primeiro precisa admitir o que está errado.

Deus é perfeito em todos os sentidos e sendo assim a razão nos diz que tudo o que Ele faz também o é. Se acreditamos nisso precisamos aceitar que, como filhos de Deus, temos o direito de viver bem. E, se não vivemos bem isso não é culpa de Deus, nem de qualquer outra pessoa, coisas ou fatos.

Nas primeiras linhas desse artigo afirmei que “Conhecer a si mesmo é fundamental para que uma pessoa possa exercer seu livre arbítrio”. Todo ser humano é dotado de livre arbítrio e é através dele que construímos dia a dia, desde o princípio, nosso destino.

A vida acatando as determinações da grande lei mental denominada causa e efeito, vai fazendo desenrolar no grande palco da nossa existência tudo aquilo plantamos um dia; e, associando-se à outras leis mentais faz com que atraiamos ao nosso redor tudo aquilo que é semelhante a nós e assim como numa profecia, tudo aquilo que pensamos, falamos e agimos se concretiza um dia.

Quando analisamos a vida desse ângulo, entendemos que não somos e nunca seremos vítimas da circunstância, da situação, do meio ambiente, das pessoas ou dos fatos. Somos agentes livres para agir, mas não podemos nos esquecer de que para cada ação haverá uma reação ou efeito, podendo ser positiva ou negativa. Uma ação positiva manifestará uma reação positiva, ou ação negativa causará uma reação negativa.

Uma das características das leis mentais é que elas são imparciais e impessoais. Acreditando nelas ou não, sendo rico ou pobre, magro ou gordo, espiritualista ou materialista independente da cor, do idioma ou religião serão iguais para todos.

Por isso na Seicho-No-Ie as estudamos e no cotidiano nos esforçamos para usá-las conscientes e responsavelmente. Nas Declarações Iluminadoras da Seicho-No-Ie, que consta em A Verdade da Vida, vol. 1, no item 3º está escrito: “Estudamos e publicamos a Lei da Criação da Vida para que a humanidade possa seguir o verdadeiro caminho do progredir infinito”.

Agora que tomamos conhecimento disso tudo seremos capazes de direcionar conscientemente nossa vida no sentido que desejarmos. Claro que para isso serão necessários treinamentos e persistência. Um bom começo está em admitir que se a sua vida não está do jeito que deseja isso é inteira responsabilidade sua e de mais ninguém.

Após isso, através de reflexões sobre ela, admita seus erros e corrigindo-os decida resolutamente viver plenamente tendo como fonte de inspiração as Sete Declarações Iluminadoras da Seicho-No-Ie, sobretudo nesse caso a 4ª e a 5ª:

“Acreditamos que o amor é o alimento da Vida e que a oração, as palavras de amor e elogio constituem o poder criador da palavra que concretiza o amor”.

“Acreditamos que, como filhos de Deus, possuímos em nosso interior a possibilidade infinita e que podemos atingir o estado de absoluta liberdade com o uso controlado do poder da palavra”.

 

Pinte o quadro da sua vida com as paisagens e cores que você deseja

Ouvi certa vez que o despertar espiritual é como ter a nossa frente um quadro de pintura totalmente limpo, nele podemos pintar aquilo que desejarmos. Se você leu esse artigo até aqui é porque alguma coisa nele encontrou ressonância em interior.

Sendo assim, por que não aproveite o momento? Diminua um pouco o seu ritmo, controle seus pensamentos (ansiedades), respire mais compassadamente sentindo que o ar que penetra seus pulmões não é um simples ar atmosférico, mas o alento de Deus, o sopro da Vida que flui, vivifica e restaura todas as células do seu corpo. Sinta que nesse momento todo seu ser está sendo vivificado e pense sobre sua vida até aqui.

Não permita que pela força do hábito pense novamente que as cenas desagradáveis ou dolorosas sejam culpa do ambiente ou das pessoas. Entenda que toda experiência tem por propósito elevarmo-nos espiritualmente. Se você entender isso de todo seu ser, nesse momento se libertará esplendidamente e uma gratidão imensa passará a te dominar, exatamente como diz o professor Seicho Taniguchi no Livro O Amor tudo cura:

Não podemos saborear a verdadeira felicidade se não sentirmos gratidão pela fonte da nossa vida. O local onde você se encontra agora – a casa, o soalho, o terreno – é onde se concentram amor, esperança e confiança dos pais, dos antepassados, dos deuses da nossa pátria. No seu corpo pulsam as graças e os benefícios de quem cresceu neste país. A sua alma está unida à alma dos seus antepassados, à alma da sua pátria. É impossível não agradecer, não reverenciar à Vida que é a fonte de tudo isso. A Verdadeira felicidade do homem encontra-se nessa gratidão à Vida.

 

Agora sim! Agora você está pronto para pegar o pincel, misturar as tintas e pintar o quadro de sua vida com as paisagens e cores que quer. Lembre-se que você é merecedor, como o filho amado de Deus, de todas as coisas boas que a Ele pertence.

Então, viva mais, sorria mais, dê mais gargalhadas, agradeça mais, ame mais, brinque mais, abrace mais, beije mais, elogie mais, interaja mais, não apenas com os seres humanos, mas com toda a natureza, sinta mais a presença de Deus em sua vida e finalmente reconheça que Ele te ama tanto que te proveu de tudo que precisa para viver bem.

Observe cuidadosamente ao seu redor e perceba que tudo isso está aí para que você manifeste a Glória do Pai através das suas obras. Sua família é uma dádiva de Deus, assim como o é seus amigos, seu trabalho, suas experiências, tudo enfim.

Desejo de todo coração que o novo ano que se aproxima reflita fielmente a paisagem que está pintando nesse momento, que sei é mais bela de todas as paisagens. Para finalizar permita-me dividir com você querido leitor, querida leitora da Mundo Ideal uma música que se tornou símbolo das festas de fim de ano no Brasil. Marcas do que se foi, embora tenha uma letra simples traduz bem o que tentei transmitir nesse artigo.

Este ano quero paz no meu coração. Quem quiser ter um amigo, que me dê a mão. O tempo passa e com ele caminhamos todos juntos, sem parar; nossos passos pelo chão, vão ficar. Marcas do que se foi, sonhos que vamos ter. Como todo dia nasce novo em cada amanhecer.

 

Feliz ano novo!!!

Preletora da Sede Internacional Carlos Alberto da Silva

Publicado na revista Mundo Ideal #257 – Dezembro/2015

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