Como potencializar sua vida nas redes sociais

 

Todo ser humano espera ser tratado com gentileza. A Seicho-No-Ie nos ensina que a vida cotidiana reflete o tipo de pensamentos e sentimentos que cada um mantém. Portanto, para ter uma vida repleta de gentilezas, é preciso ser um cultivador de gentilezas.

Quando fomos educados, aprendemos algumas regras básicas de sobrevivência em grupo, como, por exemplo, as palavrinhas mágicas “por favor”, “com licença” e “muito obrigado”. Naturalmente, com o passar do tempo e pelas experiências de convivência, percebemos que existem outras lições e outros tantos itens que devem ser aplicados para que o relacionamento com os demais seja agradável e para que possamos mostrar nossa individualidade.

A conexão entre as pessoas numa rede social acontece por meio da identificação; portanto, o próprio comportamento determina diretamente o tipo de contato que se estabelecerá; ou seja, a própria pessoa com sua conduta determina quais tipos de pessoas farão parte de sua lista.

 

No mundo atual, em que grande parte das pessoas mantém seus contatos pelas redes sociais eletrônicas, é muito importante saber como portar-se. Comenta-se muito sobre etiqueta na web, ou “netiqueta” (fusão da palavra net + etiqueta. Significa etiqueta na internet). Mas será isso apenas uma formalidade ou há, de fato, um valor espiritual, mental ou ético?

Dentre as inúmeras orientações publicadas em livros e sites, destacamos algumas para comentar neste artigo.

 

Não aceite provocações

Nem tudo o que é publicado numa rede social é de seu apreço. Algumas coisas podem parecer publicadas especialmente para tirar qualquer pessoa do sério. Nessas horas, manter-se “na sua” é sempre melhor do que sair distribuindo safanões virtuais a todos os leitores. O melhor a fazer é manter a mente serena e, por mais que a publicação ataque suas convicções, não entrar na “vibe” (. Quando alguém grita numa discussão, a outra parte grita ainda mais. Mas, quando não existe esse comportamento de uma das partes, a discussão retorna a um tom brando, e tudo se normaliza.

Sentir raiva, ficar nervoso, ter medo de alguém, guardar ressentimento – tudo isso faz mal à saúde. Além disso, distorce a capacidade de juízo. (…) mesmo que alguém o insulte, não se deixe dominar pela raiva. Se sentir raiva, trate de se controlar rapidamente. Se tomar uma decisão quando estiver com a mente atribulada pela raiva, poderá cometer erros graves. (Preceitos para Aprimoramento Diário, p. 304)

 

Discriminação não!

As redes sociais podem ser usadas como local propício para reconhecer as boas qualidades e falar de coisas boas. Ninguém merece ser rechaçado por outras pessoas, por isso, mesmo que alguém muito querido proponha a ação, não entrar nessa é a melhor pedida.

Mais importante que tecer sermões infinitos sobre uma conduta dos seus contatos nas redes sociais é demonstrar seu caráter com a difusão de um bom comportamento. O mais importante é ser um bom exemplo a ser seguido. Em vez de “trollar” (significa zoar, chatear, tirar sarro de) alguém, que tal ressaltar suas qualidades?

As pessoas tolas tendem a acreditar que, quanto mais falarem mal dos outros, quanto mais depreciarem as virtudes alheias e quanto mais apontarem os defeitos dos outros, maior será a possibilidade de serem consideradas superiores. A verdade, porém, é justamente o oposto. Pode ser que muitas pessoas ouçam tais maledicências e comentários depreciativos sem contestar, mas, na verdade, elas dificilmente deixam de perceber a baixeza de caráter dos que as proferem.

Aquele que deprecia os outros será também depreciado. (A Verdade da Vida, v. 7, pp. 97-98)

 

Selecionando boas fotos

Já ouviu dizer que uma imagem vale mais que mil palavras? Isso porque uma imagem está aberta a qualquer tipo de interpretação. Quem vê a imagem a interpreta utilizando seus próprios parâmetros de cultura, experiências, conceitos etc.

Por essa razão, é preciso ter cuidado de não fazer com que uma brincadeira, gesto, escolha ou estado emocional momentâneos, registrados em fotografia, passem uma imagem que nada condiz com a índole do fotografado. Uma vez publicados, estarão disponíveis para o mundo. Existem organizações que selecionam seus colaboradores observando o cuidado que eles têm com a própria imagem. Não dá para fazer de conta que não seja importante…

Às vezes, a postura dos fotografados não tem nada de inconveniente, mas o cenário demonstra uma escolha não muito feliz – você nunca registrou um momento com os amigos e só depois de publicar percebeu que tinha um Robert na foto (pessoa que fica atrás da cena para aparecer. Esse termo já foi chamado de “papagaio de pirata”)? Nisto podemos incluir um gesto, uma careta, um cenário, um objeto ou qualquer outra coisa que precise de muita explicação para desfazer uma má imagem.

Cada um de nós deixa sua marca ao passar por este mundo, portanto é bom pensar no tipo de registro que deseja fazer.

Uma vez que o homem filho de Deus descobre a sua missão, define uma meta e decide realizá-la, deve se esforçar corajosamente, devotando a Vida em cada tarefa, aperfeiçoando seu trabalho a cada dia, sem deixar passar o menor defeito e sem se contentar enquanto não torná-lo uma obra-prima. (Leve Avante Sua Vida, p. 184)

 

Não acreditar em tudo que lê e nem clicar todos os links

Tudo pode ser oportunidade de aprendizado, pesquisa e conhecimento. Nem sempre o que está publicado é a última versão dos fatos. Qualquer pessoa pode receber um post que traga informações interessantíssimas, mas que não expressam a verdade. Por essa razão, antes de sair acreditando, curtindo e compartilhando tudo o que lê, é bom que a pessoa conheça os diversos lados de cada história ou situação.

Também no que se refere a links enviados por amigos, é preciso ter cuidado. Assuntos muito sugestivos, que dão a impressão de segundas intenções, têm sido usados como iscas perfeitas para espalhar as pragas virtuais (vírus e programas maliciosos) àqueles que não se dão conta do seu verdadeiro valor e perdem tempo com propostas de dinheiro fácil, nudez, violência ou fofocas. É preciso manter-se fiel ao seu valor de filho de Deus, tanto para não ceder às tentações quanto para procurar desenvolver-se cada vez mais.

Se a pessoa está sendo fiel ao “falso eu” ou ao “eu imaturo”, ela está agindo em função do anseio do momento, desperdiçando a vida. Ser realmente fiel a si mesmo é ser fiel ao Eu verdadeiro, que evolui sempre. (Preceitos para Aprimoramento Diário, pp. 310-311)

 

Seja na web como é em casa

Ao contrário do que muitas pessoas pensam, o espaço cibernético não é um local onde o Tony Stark se transforma em Homem de Ferro, com autonomia para fazer o que imaginar. De modo análogo, ninguém recebe superpoderes ao acessar a internet de forma a poder dizer e fazer o que quiser e como quiser.

O uso de boas palavras, a cordialidade e a gentileza são fundamentais para que os bons relacionamentos se estabeleçam. Também é importante observar a ortografia, a concordância, NÃO GRITAR AS MENSAGENS utilizando maiúsculas e outras regrinhas básicas. Aliás, sempre que escrever um texto, a revisão é muito útil para verificar se a ideia inicial foi bem expressada e para efetuar os devidos ajustes.

Com as gírias e as abreviações utilizadas na internet, muitas pessoas se descuidam da língua portuguesa, acreditando que tudo é permitido em qualquer lugar.          Mesmo que em bate-papos usemos termos abreviados, é importante procurar, sempre que possível, escrever as palavras inteiras, observando nisso uma oportunidade de desenvolvimento.

A linguagem é expressão do próprio caráter do homem. Portanto, via de regra, aqueles cuja linguagem é pobre são considerados donos de uma personalidade também pobre; aqueles cuja linguagem é rica são considerados donos de uma personalidade rica e interessante; e aqueles cujo modo de falar não tem firmeza são considerados donos de uma personalidade pouco firme.

(…) Devemos ler sempre obras famosas de grandes escritores, familiarizar-nos com suas expressões belas, sutis e de profundo significado e aprender a usá-las sem dificuldade em nossos diálogos, discursos etc. (O Livro dos Jovens, p. 50)

 

Falou para um, falou para qualquer um

Compartilhar coisas em redes sociais é como pegar um microfone ligado e fazer declarações: até onde houver alcance do som, as pessoas vão tomar conhecimento da sua mensagem. Em caso de uma rede social na web, o “alcance do som” é o mundo. Portanto, os comentários não devem ser os mesmos que você faz com pessoas próximas, que conhecem a sua personalidade e a sua índole e vão compreender se suas palavras são apenas um desabafo ou expressão fiel de suas convicções. Tudo que está na web será visto por alguém; as outras pessoas poderão usar suas informações do jeito que acharem melhor, e você não terá controle sobre isso.

Por isso, o melhor é manter ideais elevados, cultivar bons sentimentos e espalhar essa atmosfera de esperança em todas as oportunidades.

(…) se vocês anseiam por sorrisos de bondade, palavras carinhosas e frases de louvor e admiração, é preciso que também procurem dar tudo isso a seus semelhantes.

“Somente as coisas que damos aos outros nos são asseguradas.” As coisas que não damos aos outros inevitavelmente se extinguem. (O Livro dos Jovens, p. 62)

 

Configurações de privacidade

Talvez, lendo este artigo, você esteja pensando que a proposta seja eliminar totalmente a sua individualidade, mas não é nada disso. Se o que é postado publicamente está aberto ao mundo e existem coisas que você deseja compartilhar com algumas pessoas, deve tomar o cuidado de configurar adequadamente suas contas e suas postagens. Isso não fará com que você seja uma pessoa de personalidades múltiplas; apenas assegurará que você mantenha sua espontaneidade dentro de variados grupos de publicação.

No entanto, é importante lembrar que mesmo os amigos mais “chegados” desejam ser reconhecidos, amados e elogiados. Portanto, não basta restringir um grupo para que você tenha liberdade total para fazer o que quiser, sem pensar nas consequências.

Ser livre não é ser escravo dos desejos. Ser livre não é fugir das dificuldades, mas sim dominá-las sem temor. Ser livre não é levar uma vida ociosa, desregrada ou descomedida. A “grande liberdade” (a verdadeira liberdade) não se choca com regras, leis e ordem. (O Livro dos Jovens, p. 277)

 

Não compartilhe tudo a todo momento

Existem inúmeras fotos e mensagens lindas, positivas, engraçadas (ou qualquer outro adjetivo que queira se atribuir) circulando pelas redes sociais. Dependendo do tempo que a pessoa passa navegando, vai encontrar mais ou menos coisas a compartilhar. Até aí, não há problema.

No entanto, o que precisa ser levado em consideração é que aumenta a cada dia o número de pessoas que acessam suas redes sociais dos smartphones, que emitem avisos quando algo é publicado. Se a cada minuto chegam posts e mensagens desnecessárias, o remetente acaba perdendo o crédito, isto é, ao verificar que a mensagem enviada partiu daquela pessoa “que sempre envia todas as mensagens de que ela gosta”, a remessa poderá ser ignorada. Isso acontece com frequência quando um grupo (e-mail, celular etc.) é criado e os participantes pensam que o propósito seja compartilhar qualquer coisa a qualquer momento. Resultado: os mais ocupados perdem o interesse.

Também o fato de compartilhar em seu próprio perfil inúmeros posts ao longo do dia demonstra que a pessoa tem bastante tempo ocioso e pouco publica por si mesma, podendo passar uma ideia de que passa o dia investigando a vida alheia. Nada legal, não é? Ao publicar alguma coisa, pergunte-se: “Isto é realmente relevante para meus seguidores e amigos?”.

Tempo é Vida, e Vida é mais preciosa que tudo. Quem desperdiça o tempo pratica um mal pior que jogar fora o dinheiro. A Vida, quando não progride, só pode regredir. (Preceitos de Luz, p. 116)

 

Não seja escravo das redes sociais

Por mais prazerosa que seja a navegação na web e a interação com seus contatos nas redes sociais, é preciso ter cuidado para que não saia do normal. O ideal é não perder o equilíbrio em tudo que fizer. A navegação nas redes sociais, quando não é bem disciplinada, pode viciar; nestes casos, algum tempo sem acessar a rede pode deixar a pessoa completamente transtornada.

Para manter o autocontrole, é preciso estabelecer limites e treinar para respeitá-los. Por exemplo: não é nada educado atualizar seu status enquanto está à mesa com os amigos, por mais íntimos que sejam. Se for difícil controlar-se, é preferível manter o celular dentro da mochila ou da bolsa. Também no trabalho, é preciso respeitar os limites propostos pela empresa (sites permitidos, horário de acesso, tempo de conexão etc.), vendo nisso a oportunidade de se autodisciplinar e de se auto aprimorar.

Outra forma de treino é exercitar a habilidade de se relacionar efetivamente com as pessoas, em vez de apenas trocar informações.

Os verdadeiros amigos são aqueles que entendem nossos pensamentos e sentimentos, mesmo quando não os expressamos com palavras; são aqueles cuja companhia é suficiente para que se estabeleça logo um perfeito “entrosamento de almas”; são aqueles que aumentam a nossa capacidade, unindo a sua à nossa e possibilitando-nos realizar coisas que nós próprios julgamos impossíveis de realizar. (O Livro dos Jovens, pp. 125-126)

 

Se compreendermos que nas redes sociais temos a oportunidade de ser bons amigos, que extraem plenamente o potencial infinito que se aloja no interior de todas as pessoas, então nossa natureza divina de filhos de Deus norteará nossas ações, fazendo com que nossas publicações sejam éticas e repletas de valor. Jovens, façamos desta a nossa meta!

 

Muito obrigada!

Aspirante a Preletora da Sede Internacional Daniela Seghessi

Publicado na revista Mundo Ideal #254 – Setembro/2015

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