Drogas: um suicídio lento

Diante de uma situação, a reação que as pessoas têm varia muito de uma para outra pessoa. Ao ver os colegas bebendo, fumando cigarros ou usando drogas, alguns sentem o desejo de experimentar, mas há aqueles que não têm a mínima vontade.

Uns sentem um vazio e tristeza por motivos que o consciente desconhece e são impelidos, inconscientemente, a buscar fora algo que os “preencha”. Esse vazio, essa tristeza que a maioria traz da infância são motivados por falta de amor, atenção, carinho dos pais ou por influência de aborto ocorrido na família.

No entanto, nem todos que tiveram uma infância pobre e carente são usuários de drogas ou se tornam alcoólatras, pois alguns tiveram oportunidade de receber instrução a respeito e mantêm uma postura firme para não aderir a qualquer tipo de vício, mesmo quando lhe é oferecido.

Na oração do “Pai Nosso” se diz “Não nos deixeis cair em tentação”, mas nem todos se lembram dessa frase quando um amigo lhes convida a “experimentar algo novo”. Isso é chamado de tentação. Diz-se que há quatro tentações:

1 – “Todos fazem isso…”

2 – “É um ato sem importância…”

3 – “É só uma vez…”

4 – “Ainda tenho muito tempo pela frente…”

No livro Conquiste a Felicidade com Amor, inseri o código de ética dos indígenas norte-americanos, no qual um dos itens diz o seguinte:

Procure conhecer-se por si mesmo. Não permita que outros façam seu caminho por você. É sua estrada, e somente sua. Outros podem andar ao seu lado, mas ninguém pode andar por você.”

O primeiro texto grifado, “Procure conhecer-se por si mesmo”, nos leva a lembrar da frase de Sócrates, famoso filósofo grego que ensinou: “Conhece-te a ti mesmo”. O autoconhecimento é o ponto básico para quem quer ser feliz, ao passo que aqueles que se julgam um lixo assim se encontram por não conhecerem a si mesmos de verdade.

Conhecer os fatos tristes e alegres, as frustrações, os ressentimentos, ódios etc. que ainda ecoam fortemente no seu inconsciente pode ajudar a pessoa superá-los.

E por que muitas pessoas se revoltam ao ouvir a palavra papai ou mamãe? Se não suportam falar em papai ou mamãe porque lembrar-se deles lhes causa raiva ou tristeza, essas pessoas, enquanto continuarem fugindo do tema, jamais conseguirão alcançar a felicidade. Isso equivale àquele que está com dor de dente, mas não suporta ir ao dentista. Como poderá superar a dor fugindo do dentista?

O prof. Kamino Kusumoto escreveu em seu livro Buscando Amor dos Pais: “Ligação pais-filho é cármica”. Para entender melhor essa frase, basta analisar a frase de Ramatis (Swami Sri Rama-tys): “Quantas vezes os pais de hoje são os próprios responsáveis por crimes cometidos no passado àqueles que depois reencarnam como seus filhos! Então lhes cumpre a severa obrigação de reerguê-los moral e espiritualmente, amparando-os para que alcancem condições superiores. Da mesma forma, inúmeros filhos que participam das provas dolorosas dos seus pais também estão vinculados a eles por débitos semelhantes. Nos lares terrenos, é muito comum que os algozes e as vítimas se ajustem espiritualmente presos aos mesmos interesses e necessidades”.

A maioria dos que são conduzidos a este mundo traz dentro de si revolta pelos pais. São inúmeros relatos de jovens que, ao lerem o livro Buscando o Amor dos Pais, de autoria do prof. Kusumoto, e Vivendo e Amando, de Emiko Hinonishi, substituíram o ódio por gratidão e, assim, superaram a tristeza que guardavam dentro deles. Consequentemente, também se libertaram do vício.

Quando na Seicho-No-Ie ouvimos “você escolheu seus pais”, isso quer dizer que cada pessoa tem uma ligação cármica (boa ou não) com seus pais.

No livro A Verdade da Vida, v. 9, o sr. Veterini explica que o espírito das pessoas, em determinado estágio, terá uma provação na encarnação seguinte. A provação citada pelo sr. Veterini engloba este item também: ao reencarnar, terá de conviver com o desafeto para se harmonizar. E aqui entendemos por que na Revelação Divina da Grande Harmonia é citado para reconciliar com todas as coisas do céu e da terra e que… dentre os teus irmãos, os mais importantes são os teus pais. Essa é a vontade de Deus.

Quando se segue um caminho que nos traz sofrimento, é sinal de que não é o caminho de Deus, pois o Pai Nosso que está no Céu não deseja isso para o seu filho. E na Sutra Sagrada Chuva de Néctar da Verdade consta que todas as infelicidades são dores criadas pela nossa mente e sofridas pela nossa própria mente. A isso, no cristianismo, é chamado de pecado.

Esse pecado que cometemos não é punido por Deus, mas por nós próprios, que buscamos autopunição. O psiquiatra Karl Augustus Menninger explicou isso no seu livro O Homem Contra Si Próprio. Analisando o nome desse livro, entende-se que o ser humano agride a si mesmo, inconscientemente, levado pelo sentimento de culpa.

Quando compreendemos que não somos pecadores, não somos frutos do pecado e não nascemos para pagar o pecado original de Adão e Eva, mas que somos, sim, filhos de Deus, renascemos em Deus.

Ao fato de muitos jovens se definharem por causa do vício ou outros sofrimentos, Menninger classifica como um processo de suicídio lento.

Deus não castiga ninguém, pois Ele é amor absoluto. E a vontade de Deus é que vivamos em total harmonia com os nossos pais. Quando passamos a amar papai e mamãe de verdade, com toda a sinceridade, brota dentro de nós uma alegria imensurável. É o nosso Deus interior dizendo: “Parabéns, é isso mesmo, você conseguiu!”, e consequentemente aquele vazio, aquela tristeza inexplicável desaparecem. Quando isso acontece, perde-se o desejo de continuar sofrendo sem necessidade por causa do vício ou por qualquer outra situação.

Quem sente carência afetiva dos pais abrace-os mentalmente e agradeça a eles centenas de vezes por dia. Essa carência na verdade é ilusão, pois, sendo filho de Deus, somos imagem e semelhança de Deus, ou seja, a nossa Vida é perfeita! Sendo Vida perfeita, nada nos falta. Um relógio que está funcionando normalmente não necessita de nada. Se você não sabe ainda praticar a Meditação Shinsokan, aprenda e pratique-a. Na explicação da Meditação Shinsokan o Mestre ensina: “É o momento onde o nosso Eu verdadeiro (o filho de Deus) se funde com Deus e onde se fita com os olhos espirituais a perfeição do Eu verdadeiro que é Vida de Deus, Vida eterna, perfeita, indestrutível e imortal, infinita, pura, imaculada e isenta de pecado; que jamais pecou, jamais errou, jamais adoeceu e que jamais odiou alguém, pois é a Vida perfeita e invulnerável de Deus… que é Vida infinita que cobre todo o Universo, pois ele é UM com o Deus infinito”.

Assim é a nossa Vida, que é imagem e semelhança de Deus. Quando contemplamos o nosso Eu verdadeiro, o sentimento de carência desaparece, pois Deus não criou nenhuma vida imperfeita. VOCÊ É UMA VIDA SUMAMENTE GRANDIOSA!

 

Preletor da Sede Internacional Heitor Miyazaki

 Publicado na revista Mundo Ideal #267 – Outubro/2016

 

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