Não consigo namorar. Há algo de errado comigo?

Quando estamos amando, nossos pensamentos são apenas nossos, nosso mundo é só nosso e tudo ao redor parece simplesmente lindo. O prof. Masaharu Taniguchi escreve sobre isso no livro Namoro, Casamento e Maternidade, p. 45, dizendo:

“Para os que se amam, as estrelas, as árvores, a Lua parecem mais belas, mais iluminadas. O amor dá à pessoa que ama uma força misteriosa, que a faz ver tudo mais belo”.

É impossível para o ser humano viver sem se relacionar, pois a vida é feita de relações. Desde a primeira fase de nossa existência, quando conseguimos sentir na relação entre pais e filhos o carinho, o afeto, a sensação de segurança, proteção, já nasce em nós a certeza de querer ampliar nossas relações. Até então nosso mundo era constituído de um número reduzido de pessoas, aqueles que vivem em casa, nossos irmãos, primos, alguns poucos vizinhos. Quando saímos desse castelo onde tudo era de acordo com “minha” vontade, onde o egocentrismo era a arma de proteção e sobrevivência, deparamos com um mundo onde sociabilizar se faz necessário e começamos o exercício das relações, do dar e receber, do saber ouvir, do poder de se expressar etc.

Percebemos também em nós próprios uma grande transformação, deixamos de ser o bebezinho, o(a) menininho(a), e nosso corpo começa a tomar outra forma, os hormônios agem com grande rapidez e, num “passe de mágica”, vemos nosso corpo com curvas, saliências, pelos, acompanhados por uma vontade de não fazer nada quase sempre. Quero mesmo é falar no WhatsApp, Facebook (entre outros), com meus amigos, jogar e-box, marcar um futebol e nunca ajudar a mãe em casa e jamais ajudar o pai na loja. A adolescência é a fase da descoberta, a fase de querer pertencer ao grupo, de ser igual… E aí começa a outra parte da importante vida de relacionamentos. Momento de se apaixonar, namorar, ou “ficar”, termo usado pela galera mais ativa no esquema.

Num outro livro de autoria do prof. Masaharu Taniguchi, cujo título é Assim Se Concretiza o Amor, pp. 26-27, existe um ensinamento sobre essa fase que diz: “Enquanto a pessoa é egocêntrica, a existência dos outros lhe é necessária para poder receber amor; ou seja, para ela, os outros existem apenas para proporcionar-lhe alegria e prazer. Porém, quando o amor imanente em seu coração rompe a ‘casca’ do egocentrismo e gradualmente vai se elevando para o amor que se doa, ela compreende que necessita dos outros não apenas para receber amor, mas também para dar amor. Esse é o grande progresso no relacionamento afetivo”.

Quando não temos conhecimento desse sentimento verdadeiro que é o amor, saímos em busca, então, dos prazeres, em busca ainda de somente receber o amor. Aqui encontramos nos grupos de amigos vários apelidos que se dão a aqueles que “ficam” muito: os “pegadores”, as “periguetes” e tantos outros adjetivos usados no mundo para definir os bambambãs. Nesse grupo, encontramos vários fatores que levam a pessoa a uma vida de negação afetiva da felicidade. O negócio é só “ficar”, e nesse “ficar” está embutido o desejo de pertencer ao grupo, de ser legal, de ser o mais experiente, popular…

Esta é a fase em que um número gigante de adolescentes no Brasil se tornam precocemente pais. Em 2012, segundo o IBGE, foram realizados 26.321 partos em adolescentes entre 10 a 14 anos de idade.

Em 2007, ocorreram quase 3 milhões de nascimentos no país, dos quais 594.205, que correspondem a 21,3%, eram de mães entre as idades de 10 e 19 anos.

Ainda no livro Assim Se Concretiza o Amor, p. 28, o prof. Masaharu Taniguchi nos orienta: “O amor vai evoluindo gradativamente, e o ser humano deixa a fase egocêntrica da primeira infância, em que só esperava receber amor, e passa a amar. Mas também no amor existem vários níveis. O tipo de amor que é expresso em frases como ‘amo-o porque ele me ama’, ‘amo-o porque ele me é necessário’, ‘amo-o porque ele me proporciona prazer, apesar de não ser uma pessoa necessária para mim’, este tipo de amor não é um amor espontâneo, genuíno, mas um amor instável, que oscila conforme a conduta e as condições do outro. O amor deve ser aprimorado cada vez mais, até se tornar amor absoluto, em que a pessoa ama independentemente do estado do outro”.

Quando realmente despertamos para o amor verdadeiro, descobrimos que existe um outro ser muito importante para amar chamado eu mesmo – compreender que sua vida é vida de Deus, que seu corpo é um presente maravilhoso que seus pais lhe deram para expressar sua vida neste mundo. Nesta hora percebemos a grandiosidade da vida, passamos por uma transformação de conceitos, deixamos de nos ver como simplesmente “pegador”, “periguete”, e nos vemos como vida de Deus.

Descobrir que ser amado é na verdade valorizar-se como um ser humano, um filho de Deus. É respeitar sua vida, que é extensão da vida de Deus.

Nasce nesse momento em nós uma alegria por saber que a minha vida e a vida do outro é uma só vida diante de Deus. Essa alegria desperta a gratidão, sobre a qual o prof. Taniguchi fala no livro já mencionado na página 166 – O sentimento de gratidão desperta o amor – “É muito bom receber amor, isto é, ser amado. Porém, amar é ainda mais gratificante. Sentir-se amado é motivo de alegria, mas ter alguém a quem amar proporciona uma alegria maior”. – Quando descobrimos isso, passamos a valorizar a nossa vida, que é motivo de alegria para a vida de alguém.

O professor recomenda então que a nossa vida deve ser norteada por esse sentimento nobre de agradecer a tudo e a todos, e nesse espírito encontramos a pessoa que nos fará imensamente feliz.

Dentre essas pessoas, já sabemos que as mais importantes são nossos pais. Agradecer aos pais é aceitar docilmente nossa filiação divina com Deus.

Sabemos que a fotografia do casamento de nossos pais seguramente se refletirá em nosso relacionamento, por isso, no livro Buscando o Amor dos Pais, de autoria do prof. Kamino Kusumoto, encontramos na página 18 o seguinte ensinamento: “Quem odeia o próprio pai acaba odiando todos os homens, e quem odeia a mãe acaba sentindo ódio de todas as mulheres. Tais pessoas nunca serão felizes no matrimônio. Como pode ser feliz no casamento a mulher que se casa com um homem a quem odeia, ou o homem que se casa com uma mulher de quem tem ódio?”.

Aqui nós convidamos você, leitor(a), a fazer uma reflexão sobre a fotografia que você tem do casamento de seus pais. Se chegar a uma conclusão que não é muito boa, mude agora esse seu sentimento fazendo a Oração do Perdão (livreto Shinsokan), várias vezes, para seus pais, até sentir seu coração tranquilo em relação a eles. Mudando esses sentimentos, seu coração estará livre para receber o amor.

Olha só que lindo o que encontramos na Oração para um Matrimônio Feliz, do livro Sutra Sagrada A Verdade em Orações, p. 35. As duas metades da mesma alma, se ainda não se encontraram, estão se chamando mutuamente. Se você não encontrou a metade correspondente à sua alma, ela se encontra em algum lugar e está chamando por você.

Então, prepare-se, a pessoa que está a seu lado agora pode ser sua metade da alma, ou é a pessoa que está sentada aí a seu lado no carro, no trem, no metrô, ou quem sabe é o seu melhor amigo da escola?!?

Coloque-se primeiramente diante de Deus. E, com um sentimento de profunda unidade, sinta-se abençoado(a) por Ele. Com esse sentimento, coloque um largo sorriso no rosto e se encante com a vida!

 

Dicas:

1 – Seja honesto com seu amor.

2 – Faça surpresas.

3 – Dê presentes.

4 – Confie.

5 – Dê liberdade.

6 – Conheça os amigos dele(a).

7 – Não abandone seus amigos.

8 – Dialogue sempre.

9 – Nunca deixe de atender o celular quando ele(a) ligar.

10 – Leia bons livros.

Para você, indico a leitura dos livros usados para este texto – Namoro, Casamento e Maternidade, Assim Se Concretiza o Amor e Buscando o Amor dos Pais.

Ah, participe das reuniões da Associação dos Jovens de sua cidade. Pode ser que exista alguém lá para lhe fazer muito feliz, além, é claro, de você estudar os maravilhosos ensinamentos da Seicho-No-Ie.

Felicidades,

Aspirante a Preletor da Sede Internacional José Maria Coelho

Publicado na revista Mundo Ideal #250 – Maio/2015

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