O Segredo da beleza

Há um famoso ditado que diz: “O que os olhos não veem o coração não sente”. Mas será que tudo que os olhos conseguem ver o coração realmente sente? No mundo atual, as pessoas são avaliadas pelo que têm ou pelo que aparentam ter, em vez de serem consideradas pelo que realmente são.

Imagino que você já deva ter passado pela experiência de ser ignorado ou sentir-se excluído por não estar com uma boa aparência. Eu já vivi uma situação assim: saí para pesquisar preços de carros, pois havia resolvido trocar o meu. Como estava de folga naquele final de semana, saí vestida toda esportiva. Na maioria das concessionárias, fui ignorada e só algumas me atenderam com atenção e simpatia. Acabei não fechando negócio naquele dia. No sábado seguinte, fui rever os carros que havia gostado mais e, como estava voltando de uma palestra, estava maquiada e trajando roupa social e salto alto. E, claro, fui tratada de outra maneira, naquelas mesmas concessionárias que havia sido ignorada.

Podemos dizer que uma pessoa de boa aparência obedece aos padrões estipulados pela sociedade. Já quando a pessoa é julgada de má aparência, é porque não está de acordo com o que as pessoas esperam dela. Sim, pela aparência, as pessoas julgam o que o outro tem, e não o que ele é.

Para se sentirem inseridos num grupo (amigos, escola, faculdade, trabalho etc.), muitos jovens tentam ostentar algo que não é natural e vivem em busca do corpo ideal, ou o que julgam ser ideal. Segundo algumas matérias que li, o Brasil está em terceiro lugar no ranking de consumo de produtos estéticos, atrás apenas dos Estados Unidos e da China. O setor está em constante crescimento nas duas últimas décadas. Fui pesquisar o que significa estética e descobri que é uma palavra que tem origem grega e quer dizer estudo que determina o caráter do belo nas produções naturais e artísticas, harmonia das formas e coloridos.

 

A harmonia externa das formas é reflexo da harmonia interior

Quando estamos apaixonados e estamos com a pessoa amada, tudo que acontece ao nosso redor é lindo e maravilhoso, não é mesmo? Certa vez uma amiga me contou que foi conhecer um hotel fazenda que outra amiga insistira muito para ela conhecer. Segundo sua amiga, as razões eram várias: era o melhor hotel fazenda, tudo era muito lindo, havia um brilho especial durante a noite, pois parecia que as estrelas estavam vindo nos beijar etc. Mas ela, ao chegar ao hotel fazenda, ficou decepcionada! Não era possível que, depois de umas duas semanas, o hotel tivesse mudado tanto. Aquele brilho no céu à noite que a amiga falava, na verdade, eram as teias de aranha que brilhavam, além das paredes úmidas… Mas o que fez a amiga dela achar tudo tão mágico e lindo? Ela estava em lua de mel e, como estava completamente apaixonada e encantada por passar alguns dias com o amor da sua vida, fez o seu olhar enxergar somente coisas bonitas e belas.

Não há padrões que definam o que é realmente belo. Até uma teia de aranha entre as copas das árvores que para alguns pode parecer nojento, sujo, para outros são as estrelas brilhando. Tudo é Vida de Deus, e, quando está de acordo com a vontade de Deus, em seu respectivo lugar, manifesta a sua beleza.

 

O presente do namorado

Imagino que você já tenha ganhado um urso de pelúcia, ou algo muito fofo, de quem você ama. Como é maravilhoso poder olhar, abraçar, dormir junto com aquele bichinho de pelúcia! Até o momento em que acontece uma briga e, ao chegar em casa, você olha para o presente… e o que faz? Já ouvi diversos tipos de atrocidade em relação ao presente, desde rasgar, decepar, queimar e até jogar no lixo. Mas por qual motivo temos essa reação?

O urso (ou outro presente) era extensão do seu namorado, e, quando vocês estão bem, você o abraça, ou coloca o perfume que ganhou etc., mas ao brigar, ou seja, ao querer esquecer que seu namorado existe, você quer se vingar e aniquilar com o presente! Do mesmo modo, inconscientemente fazemos isso com o nosso corpo. Mas, afinal, extensão de que é esse corpo? Extensão de nossos pais, da Vida de Deus. O sentimento de gratidão a Deus, aos pais, traz como consequência a verdadeira felicidade. Quem não sente gratidão às pessoas que lhe proporcionaram este corpo inconscientemente sempre estará à busca de algum defeito e maltrata o corpo.

 

A verdadeira felicidade está além da matéria

Provocar em seu corpo distúrbios alimentares, ou maltratá-lo, para que atenda a uma estética que julga ser padrão já se torna uma vaidade excessiva com o corpo. Quando acreditamos que um padrão é mais importante, estamos deixando de ter autoconfiança. No livro Ensinamento da Verdade para Jovens, v. 1, p. 85, o mestre Masaharu Taniguchi diz: “Quem confia em si mesmo não se deixa aniquilar por reveses e fracassos temporários. Pelo contrário, quando se vê alvo de escárnio ou está cercado de inimigos, ele permanece firme e avança, com determinação, fiel àquilo que acredita. Aconteça o que acontecer, a pessoa que confia em si mesma jamais perde de vista sua meta, o seu ideal”. Quando a pessoa provoca “mentalmente” esses distúrbios alimentares, não está acreditando em seu ideal interno, olha apenas para o externo e acredita que aquilo que vê é a sua Imagem Verdadeira.

 

O que você está expressando ao mundo

A Vida é criada constantemente pelo poder da palavra que emitimos ao Universo, e a palavra é constituída por três itens: pensamento, palavras faladas e nossas atitudes físicas. Ao nos vestirmos, estamos expressando nossas atitudes físicas, ou seja, nossas palavras no dia a dia. Seria o mesmo que pensar negativo ou pensar positivo. A roupa que usamos expressa quem somos, quais são nossos ideais etc.

A roupa que você veste expressa quem você é? O prof. Masaharu Taniguchi, no livro A Cartilha da Vida, v. 1, p. 67, nos diz: “O que é ser espontâneo? É não se exibir. É mostrar-se natural, assim como você é realmente. Quando você se preocupa em sair bem na fotografia, você fica rígido e a foto não sai bem. Você sai bem na fotografia, com uma expressão natural, quando é fotografado desprevenidamente. A rigidez é o contrário de ser natural, de ser espontâneo”.

 

Criar hábitos para manter a saúde e o bem-estar do corpo

Cuidar do corpo é como cuidar de sua casa, de suas roupas. Uma casa bem cuidada, uma roupa bem cuidada demonstram que o seu dono tem zelo, gratidão e amor.

Os sentimentos de zelo, gratidão e amor são sentimentos intrínsecos/inatos do ser humano, pois são sentimentos de Deus. Quanto mais em sintonia com sua beleza espiritual, mais fácil se tornarão seus hábitos de bem-estar. Naturalmente, você beberá mais água, terá uma alimentação saudável, fará meditações, massagens, cuidará de sua pele etc. Pois o sentimento natural do ser humano é o de gratidão e de zelo pelo que nos foi dado por Deus.

No livro A Cartilha da Vida, v. 1, p. 126, o mestre Masaharu Taniguchi diz: “A naturalidade é essência. O modo de viver da Seicho-No-Ie consiste em ser natural e dócil. (…) A existência de algo forçado é sinal de que alguma coisa está errada. Assim, tanto para promover a saúde como para obter êxito na vida, é essencial ter a mente dócil, que aceita, com espírito de gratidão, todas as coisas como elas se apresentam”.

 

Como cultivar sua beleza espiritual

Quando criança, certa vez eu estava na fila do banco com a minha mãe, e ela me mostrou um casal. O homem era muito bonito, como um príncipe (como disse, eu era criança!), já a mulher não atendia ao “padrão estético” de ser magra, ter olhos claros e ser loira etc. Porém, ela tinha um lindo sorriso, e seus olhos brilhavam ao falar com ele. Minha mãe me disse: “Está vendo como essa mulher é linda? O que define a beleza não é só o externo”.

Para se conscientizar cada vez mais de sua natureza divina, despertando assim cada vez mais o sentimento de gratidão a tudo – pratique diariamente a Meditação Shinsokan. Faça a leitura de livros que falam da Verdade. Dessa forma, você se tornará não só uma pessoa bonita, interna e externamente, mas também se tornará uma pessoa autêntica e original, manifestando verdadeiramente seu Eu Verdadeiro.

 

Aspirante a Preletor da Sede Internacional Sheila Miyazaki de Lima

 

 Publicado na revista Mundo Ideal #259 – Fevereiro/2016

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