Pais e filhos: os dois lados da mesma moeda

Sem seus pais, nada seria – Dedico este artigo a meus pais, Antonio e Marlene, pois são os meus maiores professores na arte de amar… E a meu marido, Ênio, e a nossas filhas, Julia e Karime, que me ensinam no dia a dia o que é o verdadeiro amor.

Iniciemos este conteúdo com uma reflexão que aprendemos no livro A Escola da Vida é Maravilhosa, p. 54, que diz: “‘A Escola da Vida’ é maravilhosa. Todos somos filhos de Deus, seres perfeitos, dotados de Vida imortal e capacidade infinita, mas essa Imagem Verdadeira ainda não está manifestada neste mundo fenomênico. Cabe a nós manifestá-la, e essa é uma tarefa agradável e prazerosa. Quando você perceber isso, compreenderá que a finalidade da Escola da Vida é o constante aprimoramento da alma”.

Pense nas cinco melhores coisas da sua vida…

Pense no seu maior compromisso com a vida…

Pense no seu maior compromisso com a família…

Pense no seu maior compromisso com a sociedade…

Sem a participação efetiva dos seus pais em seu nascimento neste plano material, nada disso existiria – seus olhos não teriam vencido as madrugadas para ver seu nome da lista de aprovados para o vestibular; a emoção do primeiro amor; a vitória do seu time preferido; a banda a qual você escuta ou na qual você toca; enfim, os amigos, as aventuras, as paisagens, o gostinho do feijão recém-feito, a cama, o banho, o café, os seus aniversários, os seus sonhos, os seus bichinhos de estimação, os seus passos; tudo, sem seus pais, seria o nada, seria o mundo sem o seu amor, e você sem poder amar o mundo.

Sem amor, você pode perder tudo isso – As maravilhas da Escola da Vida são, em última análise, dádivas emanadas do amor de Deus e do amor de nossos pais.

A vida que temos é a manifestação espiritual do amor, por isso não temos escolhas a não ser amar. É natural que, quando uma pessoa não manifesta amor, seus caminhos desemboquem em solidão, tristezas e doenças, e também em desilusões e angústias.

O maior galardão do amor é a sua vida, que constitui o mais valioso tesouro. Não existe tesouro sem guardiões. Você é o tesouro precioso, e seus pais são os guardiões escolhidos por DEUS!

“Nós somos filhos de Deus, criados diretamente por Deus, e os nossos pais também são filhos de Deus. Não foram propriamente nossos pais que nos criaram, mas eles são pessoas muito importantes para nós, pois são nossos guias, nossos protetores e nossos salvadores. Além de tudo, eles nos amam muitíssimo” (Você Pode Se Tornar uma Pessoa Maravilhosa, p. 17).

Relação entre amor e carma, e sobre como viemos parar nesta família e termos justamente estes pais – Como filha e mãe, hoje também compõe as fundações de minha fé a certeza de que os pais veem e sentem seus filhos como extensão de sua própria vida.

‟Os pais são conscientes de que a sua Vida e a do filho são uma só. A esta conscientização de que as Vidas são uma só nós chamamos de amor.” É o que aprendemos também na obra Você Pode Se Tornar uma Pessoa Maravilhosa.

Assim, nascemos como filhos de Deus neste plano na qualidade de seres espirituais vivendo uma vida material, sendo que um dos objetivos desta passagem terrena é nos conscientizarmos de que tudo é uno.

Ou seja, estamos todos ligados intrinsecamente através de nossas vibrações e de nossas experiências cármicas (acúmulo de pensamentos, palavras e atos vividos nesta vida e em outras vidas). Logo, vivemos em família, para que tenhamos a alegria de aprender um com a experiência do outro.

Mesmo que você não se lembre e não tenha pensado ou usado a boca pedindo para nascer nesta família, a lei mental fez com que nascesse junto aos pais mais adequados a você.

Portanto, não adianta se queixar. Em um dado momento da evolução espiritual, quando ainda estamos neste plano, ‟escolhemos, ou a força de atração escolhe”, uma família, um pai e uma mãe, ou até mesmo uma ‟boadrasta” ou um “bomdrasto”.

Por isso, rostos como extensões de paredes, encarar a família como uma tarefa, dar preferência aos laços externos, e não dar atenção aos de casa, e a discórdia como modo de vida, dentro do lar, são desperdícios de tempo, de vida e de amor – é desperdiçar, mesmo, a sua própria evolução espiritual.

Como se dá o aprendizado entre pais e filhos – Sabemos intimamente que serão as experiências vividas exatamente no núcleo familiar em que nascemos e justamente este período de tempo e espaço (10, 20, 50, 100 anos) que permitirão o entendimento necessário para a evolução do nosso espírito em determinadas áreas. Isso também é verdadeiro para com os nossos pais.

Espiritualmente, seus pais são pessoas a quem você deve muito por eles tê-lo aceito como aluno na grande escola da Vida!

Ao aprofundar essa conscientização, na relação entre pais e filhos, num dado momento desta experiência, os pais educam os filhos, e os filhos, de forma harmoniosa e amorosa, se reeducam. O efeito disso é a reeducação dos pais.

Na prática, ocorre da seguinte forma: as experiências vividas são diferentes, até porque vivemos em momentos diferentes da própria história da sociedade. Tivemos experiências diferentes umas das outras. A compreensão das experiências vividas também é diferente.

Mas, quando uma relação é harmoniosa no que se refere a essas diferenças, o aprendizado do outro e a troca de experiências passam a ser meu aprendizado.

O crescimento e o entendimento do outro passam a ser meus também. As dores do outro passam a ser minhas dores. A alegria do outro passa a ser minha alegria, e o amor expresso em palavras e atitudes passa a ser meu grande exemplo e motivador, e assim por diante.

Os efeitos de uma vida de desentendimentos entre pais e filhos – Assim está escrito no livro Reflexões sobre a Vida, p. 104: “Quem, desde outras encarnações, não viveu dedicando amor às pessoas, no devido momento não conseguirá receber o amor de quem deseja ser amado. E também, se detestou ou odiou a pessoa a quem deveria amar, será malquisto ou odiado por alguém que finalmente conseguiu encontrar nesta vida e de quem deseja receber amor”.

Em uma palestra na Academia da Seicho-No-Ie de Ibiúna, ouvi que guardar mágoas, ódio, rancor, tristezas das pessoas, principalmente em relação aos pais, é como tomar veneno e esperar que o outro morra…

Guardar mágoas do pai ou da mãe, e/ou das pessoas de uma maneira geral, a quem deveríamos amar, só levará você à infelicidade e ao insucesso. No caminho inverso, a mente grata aos pais abre-se para as dádivas de Deus.

Vivemos em ‟correntes de pensamentos” que se entrelaçam e, sempre que nos deixarmos arrastar por medo, ira, mágoa, rancor, dúvida, inquietação ou ódio, sintonizamos com as correntes de vibrações das dúvidas, dos medos, rancores ou ódios de outras pessoas. Isso provoca o surgimento de doenças no corpo, por exemplo, pois é nele que se manifestam, de modo simbólico, os nossos pensamentos e sentimentos.

A mente é a força que move a nossa vida – A Seicho-No-Ie nos ensina no livro Você Pode Curar a Si Mesmo, p. 142, 1a ed.:

O rancor e a ira são sentimentos agressivos. Quando a pessoa os direciona para alvos externos ou quando os manifesta de modo explosivo, a pressão interna se desfaz. Mas, quando represados, esses sentimentos explodem dentro da pessoa, de modo que ela acaba concretizando em seu próprio corpo o desejo de agressão, que na verdade visava ao outro. Buda disse que um presente que não chega às mãos do destinatário volta para a pessoa que o enviou, e ensinou que o mesmo acontece com o ódio. O ódio que não encontrou um meio de alcançar o alvo fica represado dentro da pessoa e, assim como uma bomba-relógio, acaba explodindo depois de algum tempo, causando graves danos físicos.

O prof. Masaharu Taniguchi explica, a esse respeito, que é como se a pessoa estivesse intencionalmente querendo castigar a si própria, uma forma de automutilação causada pelo subconsciente, a fim de alertá-la de que os seus pensamentos e a sua postura mental estão equivocados e exigem autorreflexão.

Se há atritos entre você e seus pais, é porque falta a expressão de amor. Não fique esperando receber, tome a iniciativa, dê o primeiro passo hoje, agora.

Ame seus pais, e não espere que eles mudem para então poder amá-los.

De nada adianta ficar gritando pelos cantos do mundo por um pouco de amor, justiça, compreensão, se você se emudece diante de seus pais e não consegue dizer ao menos um muito obrigado, papai, um muito obrigado, mamãe, eu os amo muito da forma que são.

Decida agora mesmo: vou perdoar, vou me perdoar, vou amar e expressar este amor aos meus pais.

“Aquele que louva os outros está rodeado de uma atmosfera radiante. Mas aqueles que espalham maledicências têm a vida encoberta por nuvens tenebrosas”, ensina o prof. Masaharu Taniguchi, em O Livro dos Jovens, p. 272.

 

Aspirante a Preletora da Sede Internacional Viviane Tenório de Macêdo Hara

 Publicado na revista Mundo Ideal #265 – Agosto/2016

 

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