pilote o avião da sua vida

Pilote o avião da sua vida

E a sua vida, como vai?

Qual é a sua resposta para esta pergunta? Provavelmente, pela força do hábito, muitas pessoas respondem automaticamente que “vai indo, como Deus quer!”. Outras talvez acabem por se lamentar da situação atual, e outras, ainda, respondem afirmando que “está tudo bem, graças as Deus!”.

Na Seicho-No-Ie aprendemos que a “palavra” tem força criadora e que o nosso destino se desenrola conforme o roteiro escrito por nós mesmos usando o poder da palavra – com o que falamos, com o que pensamos e com os atos que praticamos.

Portanto, é muito importante escolher bem as palavras que usamos cotidianamente. Boas palavras formam um bom destino. Palavras negativas formam um destino negativo. Reforçando que palavra, no sentido de força criadora, é formada pelo tripé daquilo que falamos, pensamos e agimos.

É justamente por isso que na Seicho-No-Ie nos esforçamos em proferir palavras positivas. Para isso realizamos diversos tipos de “treinamento” diário, como ler bons livros, prática da Meditação Shinsokan, leitura das sutras sagradas da Seicho-No-Ie, mentalização e repetição de palavras positivas.

Há maneiras muito interessantes de responder à pergunta “E a sua vida, como vai?”. A preletora da Sede Internacional Marie Murakami sempre inicia suas palestras perguntando ao público: “E aí, como vai?”. Como escrevi acima, as respostas são as mais variadas, no entanto a preletora Marie estimula aos presentes a responder “Cada vez melhor!”, explicando justamente sobre o poder da palavra.

E, então, pronto para responder? E a sua vida, como vai?

 

Qual é a sua visão acerca de Deus?

Muitas pessoas me perguntam, na condição de orientador religioso, o que devem fazer para melhorar suas vidas e serem mais felizes? É claro que a resposta depende de pessoa para pessoa. Porém, acredito que o ponto de partida para qualquer caso é estabelecer qual é o tipo de relação que a pessoa mantém com Deus.

Pode até parecer estranho essa afirmação, mas é fato que muitas pessoas, para não dizer a maioria, mantêm uma relação à distância com Deus. Talvez você, amigo leitor, esteja até se perguntando: “Como assim?”. Então, vamos entender juntos esse ponto.

Geralmente quando uma pessoa afirma que tem fé em Deus, ela costuma dizer que é “temente a Deus”. Esta afirmação vem de tempos remotos e tem como base o Antigo Testamento, o livro de Deuteronômio, 6: 1-3:

 

Estes, pois, são os mandamentos, os estatutos e os preceitos que o Senhor teu Deus mandou ensinar-te, a fim de que os cumprisses na terra a que estás passando: para a possuíres; para que temas ao Senhor teu Deus, e guardes todos os seus estatutos e mandamentos, que eu te ordeno, tu, e teu filho, e o filho de teu filho, todos os dias da tua vida, e para que se prolonguem os teus dias.

Ouve, pois, ó Israel, e atenta em que os guardes, para que te vá bem, e muito te multipliques na terra que mana leite e mel, como te prometeu o Senhor Deus de teus pais.

 

Buscando o significado no dicionário Michaelis, encontramos: “ter temor, medo, receio de”, também: “reverenciar, venerar: Temer a Deus”. Embora não percebamos conscientemente, é fato que esta relação com Deus, baseada no “temor”, embora pareça uma relação de reverência e veneração, por trás está oculta a crença em um Deus que castiga e exige sacrifícios.

Por consequência, em geral, as pessoas acabam criando para si situações de sacrifícios e sofrimentos, acreditando inconscientemente que assim estão agradando a Deus.

 

Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração,

de toda a tua alma e de todas as tuas forças.

Esta visão está completamente equivocada, pois ainda em Deuteronômio, 6: 4-7, lemos:

 

Ouve, ó Israel; o Senhor nosso Deus é o único Senhor.

Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todas as tuas forças.

E estas palavras, que hoje te ordeno, estarão no teu coração; e as ensinarás a teus filhos, e delas falarás sentado em tua casa e andando pelo caminho, ao deitar-te e ao levantar-te.

 

Jesus Cristo também nos ensinou exatamente o mesmo princípio. Basta ver em Mt. 22: 35-40; Mc. 12: 28-34; e Lc. 10: 25-27. Para que possamos manifestar em nossa vida cotidiana a sabedoria infinita, o amor infinito, a Vida infinita, a provisão infinita, a alegria infinita e a harmonia infinita, que são os atributos de Deus, precisamos necessariamente rever nossa forma de render culto a Deus.

Falando de forma clara e objetiva, precisamos amar a Deus com todo o nosso coração, com toda a nossa alma e com toda a nossa força. É preciso que compreendamos que viver bem, alegre, feliz, saudável, harmonioso e próspero é cumprir a vontade de Deus.

 

Reconcilia-te primeiro com Deus

A Revelação Divina da Grande Harmonia diz: “Reconcilia-te com todas as coisas do céu e da terra. Ao te reconciliares com todas as coisas do céu e da terra tudo será teu amigo e coisa alguma do Universo poderá causar-te dano”. Acredito que a primeira coisa que devemos fazer é reconciliarmo-nos com Deus. Isso mesmo, você leu corretamente: “Reconciliarmo-nos com Deus!”. Pedir perdão por não termos entendido até agora que Ele é amor infinito. Jesus não nos ensinou que Deus é amor, que Ele é nosso Pai?

Precisamos nos convencer, ou melhor, sentir que Deus é nosso Pai amoroso e misericordioso, que sabe tudo de que precisamos antes mesmo de pedirmos a Ele e, o melhor, já nos concedeu tudo em abundância. Tal está escrito em Mt. 7: 7-12:

 

Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei, e abrir-se-vos-á.

Pois todo o que pede, recebe; e quem busca, acha; e ao que bate, abrir-se-lhe-á.

Ou qual dentre vós é o homem que, se seu filho lhe pedir pão, lhe dará uma pedra? Ou, se lhe pedir peixe, lhe dará uma serpente?

Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas dádivas a vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus, dará boas coisas aos que lhas pedirem? Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós a eles; porque esta é a lei e os profetas.

 

A autoaceitação é indispensável

Feitas essas considerações, acredito que agora podemos falar com mais propriedade sobre como pilotar o avião da nossa vida; ou seja, como levar a vida na direção que desejamos. Acredito que você já compreendeu que como filho de Deus nasceu neste mundo para manifestar a Glória de Deus, ou seja, você está aqui para manifestar os atributos de Deus.

Mas para isso se torna indispensável a autoaceitação. Que autoaceitação? A aceitação que você nasceu para dar certo. Sendo Deus perfeito, a razão nos diz que Ele nada faz com imperfeição; portanto, você está aqui neste mundo por um motivo nobre, que é ser a autoexpressão de Deus. Desta consciência é que se desenvolvem todas as condições para você concretizar seus sonhos, seus ideais, seus desejos sinceros.

Veja o que diz Roy Eugene Davis, em seu livro Imaginação Criadora, p. 16:

 

A autoaceitação é indispensável – tudo o mais vem a seguir. Sem a autoaceitação não pode haver confiança e, portanto, nenhuma coragem para agir. A autoaceitação conduz à autoconfiança; a autoconfiança conduz à tomada de decisões e à ação propositada; e o ciclo do sucesso se torna então completo. Se sentir que não é digno de ser saudável, próspero e criadoramente livre e expressivo, faça em você mesmo um trabalho interior e liberte-se dos padrões negativos de pensamento que o mantêm aprisionado. Somos dignos da realização, e a realização não é tanto uma questão de ter de merecê-la, como é de aceitá-la.

 

Somos dignos da realização

Lendo e relendo o livro Imaginação Criadora, que está em sua 7ª edição aqui no Brasil, encontrei nele de fato um guia diário de orientação de como aplicar no cotidiano as leis mentais que regulam o destino para alterar conscientemente o rumo da minha vida.

Com o estudo dessa obra, associado ao O Livro dos Jovens, Dinamize Sua Capacidade, Ensinamento da Verdade para Jovens, v. 1 e 2, Guia para uma Vida Feliz e outros livros da Seicho-No-Ie, fui compreendendo que dentro de mim habita o Princípio Criador e que sou digno da realização. Ou seja, como filho de Deus, sou merecedor de uma vida plena e feliz e, ao longo de mais de 28 anos, tenho dado testemunho do poder da Imaginação Criadora.

Mas o melhor da história é que não apenas eu ou algumas poucas pessoas sejamos dignos da realização. Na verdade, todas as pessoas o são. Você, amigo, amiga, é uma pessoa muito importante aos olhos de Deus. Na verdade, você é indispensável para Deus, pois, sem você, Ele não teria como Se expressar.

Portanto, pare agora de se lamentar, de nutrir autocomiseração. Não importa o que aconteceu em sua vida até agora. Pare de contar as derrotas e as decepções, elas são as pedras, o cimento e o ferro que formam sua base para cumprir sua missão na face da Terra.

Não importa quantas vezes você caiu ou cairá, importa sim quantas vezes estará disposto a se levantar e seguir adiante, tal como a água que sai da nascente, forma um fio d’água, uma corrente, um córrego, uma ribeirinha, um afluente, um rio e, independentemente dos obstáculos do caminho, sabe que um dia se tornará um com o mar.

Da mesma forma, sem se apegar aos obstáculos do percurso da nossa vida, devemos transformá-los em trampolins, que dão ainda mais impulso no nosso caminhar rumo ao “grande oceano” (Deus), e, um dia, quando chegarmos lá, olharemos para trás e perceberemos emocionados que deixamos nossa marca na edificação de um mundo melhor.

Você é um ser único, dotado de capacidade infinita! Portanto, seja feliz e faça o teu próximo feliz!

 

Muito obrigado!

 

Preletor da Sede Internacional Carlos Alberto da Silva

 

Publicado na revista Mundo Ideal #233

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