Relato Braga

Relato de experiência – Lucimar Braga Silva

Dentro da penitenciária Braga teve contato com uma revista da Seicho-No-Ie. Foi o começo da sua nova vida.

Div. Lucimar Braga  Silva

SP-São Bernardo da Silva

 

Nasci em 03/09/1975, em Patos de Minas – MG, cidade onde morei até o dia 03.11.1995, data na qual me apresentei no 17º Batalhão da PM, na cidade Uberlândia/MG, local onde iniciei o curso de formação de soldado da PM.

Conheci a SEICHO-NO-IE no segundo semestre do ano 2000, através de duas revistas sagradas. Nesta época eu me encontrava na Penitenciária “Osíris Souza e Silva”, instituição que se localiza no interior do Estado de São Paulo, ambiente totalmente inverso ao “cenário” em que me apresentei no fim do ano de 1.995.

Na condição de policial militar, permaneci por mais três anos e meio, período este, que se desencadeou uma sucessões de fatos em minha vida, os quais não soube administrar. Época em que eu não estava mais dispensando atenção à família, minha situação financeira estava péssima, não conseguia concluir meus estudos e cursos. E, para agravar, não conseguia transferência para a cidade que nasci.

A partir de então, deixei-me levar pelo “dinheiro fácil”, e fui me comportando de maneira irresponsável, fraca, e fui sendo punido por indisciplina, o que acarretou meu desligamento da corporação.

No mês de janeiro de 2.000, deixei minha mulher e filha na casa de minha então sogra, e vim para o Estado de São Paulo, agora, na condição de membro de quadrilha de roubo de cargas. Minha aventura durou pouco tempo, pois no dia 28 deste mesmo mês, fui preso na cidade de Araraquara/SP.

Permaneci na cadeia pública desta cidade pouco mais de cinco meses, pois logo fui transferido para outro presídio, próximo à cidade de Lins/SP. Estar naquele “fim de mundo”, sem contato com minha família, parecia um pesadelo. E, para agravar, estando na condição de ex-policial militar.

Mas, foi no 4º Pavilhão deste presídio, que fui presenteado com as duas revistas sagradas. No início, o que mais me chamou a atenção foi a beleza das fotos, das cores da natureza nelas estampadas. Esta visão era incomparavelmente mais agradável do que ficar contemplando as paredes e muralhas de concreto.

Como não tinha o que fazer neste lugar, em tal época, iniciei a leitura das revistas sagradas, as quais me traziam uma sensação muito boa.

Certo dia, recebi uma carta da minha família, onde por meio desta, fui informado da separação de meus pais, e, o que era mais grave, meu pai estava perseguindo minha mãe, armado, o que me causou muita contrariedade, pois nada podia fazer. Então, escrevi uma carta a meu pai contendo palavras malcriadas, onde cheguei a ameaçá-lo caso algo acontecesse à minha mãe, fato este que agravou ainda mais nossa relação, que já não era das melhores.

Nesta época, minha família não sabia da minha condição de preso, apenas parte da família de minha, hoje, ex-mulher.
Mantendo a leitura das revistas sagradas, o significado da frase “akusen mi-ni tsukazo”, ou seja, “não me iludo com dinheiro sujo”, me chamou a atenção, e levou-me a refletir bastante sobre minhas decisões passadas.

No ano de 2001, após a mega rebelião que se desencadeou nos presídios do Estado de São Paulo, recebi da Sede Central mais revistas, a Sutra Sagrada “Chuva de Néctar da Verdade”, e um livreto que ensinava a prática da Meditação Shinsokan. Desde então, eu iniciei as práticas da leitura da Sutra Sagrada e da Meditação Shinsokan pela manhã, e, às vezes, à noite, antes que a energia elétrica fosse desligada.

Nas revistas que eu tinha, constavam vários relatos de mudanças nas vidas das pessoas, mas na minha vida nada havia mudado ainda. Em minha mente, nesta época, habitava muito ódio, tristeza, angústia, além da revolta de estar vivendo toda aquela situação.

A esta altura, a população carcerária daquele presídio já sabia do meu passado como policial militar. Tal descoberta gerou tumulto e insatisfação entre os presos. Porém, foi nesta época em que pude identificar alguns bons e corajosos amigos, que ficaram ao meu lado, quando eu mais precisei. Ali, conheci o espírito de lealdade e de hombridade.
Apesar de não conseguir reconhecer os fatos bons que ocorriam comigo, continuava a ler as revistas sagradas e a praticar o ensinamento.

Lembro-me que, a maioria das revistas, abordava sobre a palavra “muito obrigado”, prática esta que eu não conseguia iniciar, pois era impossível para eu agradecer ao fato de estar preso, e a todas aquelas manifestações fenomênicas que se projetavam à minha volta.

Mesmo assim, entre o segundo e terceiro trimestre do ano de 2001, fui beneficiado com o regime de prisão semi-aberto, regime este que me dava a possibilidade de trabalhar durante o dia estando em “liberdade”, e retornando à noite.
Naquela ocasião, por estar próximo ao Dia dos Pais, tive o privilégio de “ficar em liberdade” por até 6 dias, para visitar meu pai. Durante estes dias pensei muito em não mais retornar àquela Instituição, mas, imediatamente me veio à mente aquela frase “não me iludo com dinheiro sujo”.

No dia 10.08.2001, retornei ao presídio, e no dia seguinte fui transferido para o Instituto Penal Agrícola, na cidade de Bauru/SP, local onde fiquei por poucos dias, sendo logo transferido para o Instituto Penal Agrícola de São José do Rio Preto/SP, cidade esta que se localiza próximo à divisa com o Estado de Minas Gerais, motivo da minha remoção.
Nesta nova Instituição iniciei a realizar a leitura da Sutra Sagrada em voz alta, prática que o Prof. Masaharu Taniguchi ensinava em um de seus artigos.

Também foi neste presídio que me correspondi com uma Associação Local, de onde recebi a visita de um de seus membros, o qual me presenteou com revistas sagradas, e um livro. Em uma dessas revistas, constava um poema que significou muito para mim, que assim dizia:

O Lírio do Vale
Gostaria de viver como o lírio do vale.
O lírio do vale não luta nem corre.
O lírio do vale é sereno sem se desencaminhar.
Não haverá paz onde existir ambição.
Mesmo a ambição de desejar trazer paz ao mundo,
Achar que a paz será trazida com ambição,
É o mesmo que a insensatez de pescar nos bosques.

Para mim, naquela ocasião, era difícil manter a mente serena igual a do Lírio do Vale, porém, eu continuava com as práticas.

Nesta Instituição foi-me concedido o direito de sair por duas vezes pelo regime semi-aberto. E foi na última vez que me foi apresentada uma proposta tentadora, que me daria condições financeiras para realizar alguns sonhos que eu tinha, mas, para isso, eu tinha que abandonar o presídio e ficar por conta de ações do crime.

Embora os ensinamentos da SNI transmitissem a Verdade Homem-Filho de Deus, minha fé era pequena, tanto que eu não sabia o que faria após obter a liberdade.

Já de volta ao presídio, intimamente eu já tinha aceitado a proposta de fuga que me havia sido feita. Porém, no dia 04.04.2002, fui surpreendido pela equipe disciplinar da Instituição, com algemas e um mandato de prisão em mãos.
Após 21 dias no cadeião local, fui transferido para o presídio de origem, Penitenciária “Osiris Souza e Silva”. Neste percurso, recordei de uma mensagem que tinha lido em uma das revistas sagradas: “Tudo que ocorre à nossa volta é reflexo da nossa própria mente, e, se algum fato está constantemente sendo repetido, é porque alguma lição ainda não havia sido compreendida” . E por esta razão, novamente fui preso, novamente estava indo para aquele presídio. Intimamente, também sabia que, novamente, estava sendo fraco e tinha feito a escolha errada.

Estando de volta ao presídio, procurei ser mais “sociável”, ao invés de manter o semblante carrancudo como antes.
No setor de inclusão me deram a oportunidade de trabalhar na limpeza, local este onde procurei ser útil aos companheiros. Continuei mantendo contato com a Sede Central, e desta recebi o livro “A Verdade da Vida” – vol. 27. Na pagina 37 deste livro, consta sobre o pó que encobre a perfeição da Imagem Verdadeira do homem, que se apresenta através de pensamentos e sentimentos negativos. A partir daí, me dei conta de que, às vezes, minha mente adotava uma postura insatisfeita. Mais uma lição.

Mas foi no dia 11.03.2003, que tive uma ótima notícia. Fui informado de que a Vara de Execução Criminal Local tinha me reintegrado ao regime semi-aberto, o que para mim era uma grande conquista. Fui transferido para um presídio semi-aberto que fica em Guarulhos/SP, no dia 10.04.2003. Estava alegre pela conquista, mas ao mesmo tempo insatisfeito por não ter sido transferido para a Instituição de São José do Rio Preto/SP. Por esta razão, preferi permanecer na cela da inclusão, aguardando uma vaga para a remoção.

Nesta cela de inclusão, sempre que surgia o interesse por parte de alguns reeducandos pelas revistas sagradas, eu as doava.

Voltei a me corresponder com a Sede Central, pois novamente meu endereço tinha mudado. E, com muito amor e atenção, a Prelª Benedita Custódio continuava a responder minhas cartas. Nesta ocasião, fui presenteado com uma apostila de estudos que continha a história de vida de um ex-presidiário, que se tornou líder religioso nos Estados Unidos, Star Daily.

Também, neste mesmo período, recebi uma carta de minha filha, da qual não tinha notícias há mais de um ano, acompanhada de uma foto sua. Fiquei muito feliz por poder admirá-la pela fotografia. Ela estava bem, e sendo amorosamente cuidada.

Partindo do princípio da lei mental que diz “tudo que ocorre ao nosso redor é reflexo de nossa própria mente”, parecia que a tendência era só melhorar.

Foi, então, que no dia 25.07.2003, a diretoria local, alegando seus motivos, nos informou que seríamos transferidos para outra Instituição de regime semi-aberto. Tal notícia nos aborreceu, pois faltavam menos de 15 dias para sairmos na comemoração dos Dia dos Pais. Saída temporária que era nossa oportunidade de reivindicar nossos direitos junto à ‘COESP’, em São Paulo. Enfim, fomos obrigados a fazer o que fora determinado, mediante espancamentos e sendo conduzidos ao caminhão de transporte que nos levou até o Presídio Semi-Aberto de Franco da Rocha/SP, que não nos recebeu, por estarmos com hematomas visivelmente oriundos de espancamento.

Para mim, que ainda era muito orgulhoso, era difícil aceitar toda aquela situação, e ainda agradecer. Recordo que era nestes momentos críticos que eu me lembrava do poema do Lírio do Vale que dizia que “o lírio do vale é sereno, sem se desencaminhar”. No entanto, para mim era impossível ficar sereno…

Mas o fato foi que todos nós estávamos dispostos a pleitear nossos direitos junto aos órgãos competentes, então, a diretoria do presídio nos enviou novamente ao regime fechado, local no qual não imaginávamos que ficaríamos tanto tempo.

Mesmo em tal circunstância, não deixei de realizar a leitura da Sutra Sagrada, e as práticas diárias, o que fazia me sentir muito bem.

Fomos transferidos paras celas disciplinares daquela Instituição, e foi na cela deste setor que permanecemos por mais de 11 meses. Durante todo este tempo, mantinha contato com a Sede Central, a qual, todo mês me presenteava com revistas sagradas.

Nesta cela, aprendi a ter paciência, a ter fé e gratidão pelas mínimas coisas, que antes eu não dava o devido valor, tais como, a liberdade, os raios do sol, e até um copo de vidro.

No dia 19 de julho de 2004, fomos transferidos para o setor de enfermaria, onde por algum tempo seria a nossa nova casa. Era uma vitória estar ali, naquele setor, pois teríamos o direito de tomar banho de sol, e também espaço para caminhar e exercitar o corpo. Nunca tinha me sentido tão feliz.

A esta altura, eu já conseguia mentalizar a frase “muito obrigado” boa parte do dia, embora não tivesse atingido o nível espiritual de sentir gratidão pelos responsáveis por estarmos naquela situação. Eu estava apegado ao passado, mesmo tendo lido tantas vezes a respeito da importância de soltar o passado e viver o agora.

Da Sede Central, recebi o livro “Superando Obstáculos”, do próprio autor, Prof. Yoshihico Iuassaca. Voltei a acreditar que a minha mente já estava melhorando a freqüência das vibrações. Foi, então, que no dia 08.01.2005, após realização das práticas habituais, me informaram que naquele dia seria transferido para uma Instituição especial, onde boa parte da população carcerária era de ex-policiais.

Nesta Instituição foi possível trabalhar mediante remuneração, voltei a estudar, fiz curso de informática, enfim, se não fosse pelas muralhas eu diria que estava no “céu”.

Em uma das revistas sagradas que recebi constava um artigo do Mestre, que dizia: “A vida começa a desenvolver-se depois que a semente cai, quando ela se agarra firmemente no lugar em que caiu, enraizando-se, esforçando-se para crescer o máximo que lhe foi permitido, tudo aproveitando para seu crescimento. Firmar-se e crescer o máximo que puder, por pouco que seja”. Sempre que lia este artigo me sentia motivado a continuar vivificando o agora.

No dia 26.01.2005 ocorreu meu primeiro contato pessoal com membros da Família Seicho-No-Ie. Ali estavam presentes o Prelº AILSON ROBERTO SANCHES, sua esposa, também Preletora, o Sr. EXPEDITO e o Sr. DINIZ URDINE, o qual daria o seu relato de experiência. Verdadeiros SNI, que não se intimidaram com as muralhas, não desanimaram com a burocracia, e transcenderam o medo e o receio de ministrarem palestras dentro do presídio. Saíram de São José dos Campos – SP para estarem ali conosco. Fiquei muito feliz.

A esta altura da minha caminhada, eu já sabia o que fazer quando chegasse do outro lado dos muros, só não sabia como. Porém um sentimento muito forte de confiança dentro de mim dizia que era possível.

Continuei dando o meu melhor até o dia em que fui informado de que eu havia ganhado o direito à liberdade condicional, o que se deu no dia 20.09.2006. Havia chegado o fim daquela experiência. Momento de grande alegria e, ao mesmo tempo, de tristeza, pois naqueles seis anos, oito meses e vinte dias, percorrendo instituições prisionais no Estado de São Paulo, fiz amigos que compartilharam comigo atenção, carinho e respeito.

Hoje, dois anos após ter sido submetido a esta experiência, só tenho a agradecer a Deus por tudo, pois venho, gradativamente, reconstruindo minha vida. Agradeço a todos que compartilharam comigo esta experiência.
Obrigado aos meus amigos Vanderlei, Débora e José Francisco, que foram as primeiras pessoas que me receberam quando obtive minha liberdade.

Mais do que nunca continuo a praticar os ensinamentos da SNI, e hoje sou divulgador do Movimento de Iluminação da Humanidade, fui premiado com o cargo de diretor de Revistas Sagradas da Associação dos Jovens de Vila Vivaldi, da Regional SP-SBCampo/SP, além de colaborar na Associação Fraternidade de Rudge Ramos, também desta Regional.
Obrigado à Família Kondo, por ser, para mim, uma referência de praticantes e grandes divulgadores desta filosofia.
Minha eterna gratidão a todos da Sede Central que sempre responderam às minhas cartas,em especial, à Prelª BENEDITA VILAS BOAS, que grandemente contribuiu para o meu despertar.

Ao Mestre Masaharu Taniguchi, meu muito obrigado.

Agradeço à minha avó, a meus pais, que sempre procuraram dar o melhor de si para criar a mim e meus irmãos.

 

 

 

 

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Relato gravado na 55ª Convenção Nacional da AJS/BR, em 2010.

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