Sexo

Quando o assunto é sexo, que tipo de pensamento passa por sua cabeça? “É bom”, “Não gosto de falar no assunto”, “Uma filosofia ou religião não devem tocar no assunto”, “Sujo e feio”, “Não vivo sem” etc.

No assunto do “Papo Jovem” deste mês, vamos dividir com o nosso leitor alguns conceitos da Seicho-No-Ie sobre sexo.

O prof. Masaharu Taniguchi, desde a fundação da Seicho-No-Ie, declara que nosso fundamento filosófico se baseia na reverência incondicional à Vida. No primeiro volume de A Verdade da Vida, p. 27, consta: “O objetivo da Seicho-No-Ie é viver cada qual reverenciando a Vida, em fiel obediência à lei da Vida, e estender esse modo de viver ao maior número possível de pessoas, a fim de iluminar gradativamente a vida cotidiana de toda a humanidade. Então, ao declarar que reverenciamos a Vida, significa que respeitamos e reverenciamos a nós mesmos”. O significado amplo dessa afirmação é que em todo ser aloja a Grande Vida e que o objeto que representa a manifestação desta Vida na Terra é o nosso corpo carnal. Por isso, esse corpo carnal é visto por nós como o “templo onde aloja a Vida de Deus”. Esse fundamento nos leva a ver a vida individual como extensão da Vida de Deus. Por isso, quando na Seicho-No-Ie falamos de sexo, falamos de respeito e reverência à Vida.

A iniciação sexual dos jovens vem ocorrendo em média por volta dos 14 anos de idade. Alguns se iniciam com 11, 12 anos (e, infelizmente, muitas vezes antes disso) e também vamos encontrar os que se iniciam com 15, 16, 18 anos ou mais.

Não dá para dizer que há uma idade correta para iniciar-se sexualmente, mas podemos  afirmar que uma iniciação sexual muito precoce em geral ocorre sem a maturidade necessária para viver o sexo com responsabilidade. Daí o grande número de grávidas na adolescência, sem contar o enorme risco de doenças sexualmente transmissíveis e a imaturidade para encarar relacionamentos.

Conceito da Organização Mundial de Saúde

A sexualidade faz parte da personalidade de cada um, é uma necessidade básica e um aspecto do ser humano que não pode ser separado de outros aspectos da vida. Sexualidade não é sinônimo de relação sexual e não se limita à ocorrência ou não de orgasmo. Sexualidade é muito mais que isso, é a energia que motiva a encontrar o amor, contato e intimidade e se expressa na forma de sentir, nos movimentos das pessoas, e como estas tocam e são tocadas. A sexualidade influencia pensamentos, sentimentos, ações e interações e, portanto, a saúde física e mental. Se saúde é um direito humano fundamental, a saúde sexual também deveria ser considerada um direito humano básico. (WHO TECHNICAL REPORTS SERIES, 1975)

 

No livro Educação do Filho de Deus, v. 1, p. 123, o prof. Keiyo Kanuma escreve: “O assunto sexualidade tem íntima ligação com o conceito que temos do ser humano e do mundo, e influencia a questão moral e o futuro de nossa nação, para o progresso ou para a decadência”. E o professor continua sua abordagem, na p. 125, dizendo: “Considerando o aspecto físico, constatamos que o corpo humano se inicia no momento em que um minúsculo óvulo, do tamanho de uma semente de papoula, é fecundado. À medida que se desenvolve, vão se acentuando as características de um determinado sexo. Mais tarde, é atraído por alguém do sexo oposto, casa-se e procria. Considerando o aspecto espiritual do amor, vemos que o bebê tem uma vida de amor passivo, ou seja, apenas recebe o amor dos pais. Mais tarde, conhece o amor pelo sexo oposto e, depois, o amor conjugal; tem filhos e então aprende a somente dar amor. Com a emancipação dos filhos, passa a amar com desprendimento, sem esperar nada em troca, e, com o nascimento dos netos, entra em novo estágio de amor. Assim, desempenhando vários papéis em variados dramas de amor, o ser humano encerra sua vida”. Podemos observar nesse argumento que, quando passamos a viver com sentimento de amor, a questão do sexo passa por um olhar sagrado, e não somente um mero contato físico em busca de prazer.

Normalmente, pensa-se que os problemas sexuais começam na puberdade, mas na verdade eles têm início na época do jardim de infância, nos informa o prof. Kanuma na p. 126 do referido livro. E ainda nos orienta o seguinte na p. 127: “Assuntos sobre sexualidade não devem ser tratados de maneira complicada, mas de uma forma sublimada e sem comentários maliciosos”. Basta falarmos de maneira descontraída e simples a verdade científica dos fatos. O porquê disso é que na Seicho-No-Ie acreditamos na definição do prof. Masaharu Taniguchi, como consta no livro A Nova Visão do Casamento, na p. 49, de que “amor é o reconhecimento de que ‘eu’ e o ‘outro’, mesmo estando separados na forma, somos originalmente um em espírito e na essência”.  E segue, nos esclarecendo ainda mais:

“Quando dizemos amor à humanidade, estamos nos referindo a um amor de maior amplitude, que é a consciência de que todos os seres humanos, embora separados na forma, mantêm a unidade intrínseca pelo fato de compartilharem a Vida de Deus, pois as suas vidas se originam de um único Deus (…) Num âmbito mais limitado que o amor aos seres vivos e o amor à humanidade, temos o amor aos compatriotas, aos companheiros ou aos amigos. E, em qualquer dessas formas de amor, o ponto comum é o sentimento de unidade, ou seja, o sentimento que pode assim ser traduzido: ele(a) tem algo em comum comigo. Portanto, podemos dizer que o amor é um sentimento que faz as pessoas descobrirem algo que constitui sua unidade intrínseca, embora estejam separadas na forma”. É por isso que, ao nos referirmos a questões de sexualidade, partimos do princípio de respeito a essa vida, a essa unidade.

Desde que o mundo é mundo, essas questões vêm sendo discutidas, e na maioria das religiões, ou por falta de uma interpretação correta, a palavra sexo e atos sexuais estão intimamente ligados à ideia de pecado.

No livro A Nova Visão do Casamento, p. 74, o mestre Masaharu Taniguchi escreve: “Geralmente, a ideia de pecado conduz à repressão do prazer. As penitências religiosas e as punições dos pecadores são formas de repressão do prazer resultante da ideia de pecado”.

Quando vemos o sexo com os olhos da unidade “eu e o outro somos um”, nasce em nós o desejo de proporcionar prazer ao(à) companheiro(a) com sentimento de verdadeiro amor. Nesse sentido o mestre esclarece na p. 88: “No ser humano existem dois instintos básicos: o apetite e o desejo sexual. O apetite é imprescindível para manter a vida do indivíduo; e o desejo sexual, para a preservação da espécie. Ambos são igualmente importantes. Porém, ao passo que muitos estudos têm sido feitos em relação ao apetite, pouco se tem pesquisado a respeito do desejo sexual”.

Por isso o prof. Masaharu afirma que a religião, a filosofia têm da orientar de maneira correta os homens, mostrando de maneira louvável que, quando existe o respeito a essa Vida que se aloja em nós, o prazer sexual é permitido respeitando sempre o(a) parceiro(a). Ainda no livro, o Mestre escreve na p. 53: “É necessário que a reverência seja mútua, e não unilateral”. E, na p. 29, orienta o seguinte: “O ato sexual, quando praticado com base nessa consciência, constitui um ritual sagrado de comunhão de almas”.

A intensidade do amor é algo interessante. Quando amamos, temos o desejo de posse do ser amado, queremos seu bem, nos esforçamos para viver em harmonia, e tudo que é dele(a) é meu também – sentimento de unidade. Mas eis o que escreve o prof. Masaharu Taniguchi na p. 32: “Um apaixonado cobre de beijos os cabelos da amada; no entanto, ao descobrir um fio de cabelo dela misturado na comida, sente nojo, perde o apetite e quase chega a vomitar. Por que ele reage assim? Pela seguinte razão: enquanto os fios de cabelo pertencem à cabeleira da amada, ele os considera parte de si próprio; mas um fio de cabelo solto não lhe suscita essa sensação, parecendo algo que nada tem a ver com ele”. Já não me pertence mais, esse é o sentimento; afastamo-nos da unidade.

Quando os jovens olharem para as questões da sexualidade com esse olhar de unidade e respeito à Vida, é natural aí a diminuição de gravidez indesejada, aborto provocado, doenças sexualmente transmissíveis.

Por isso, a importância da adequação Pessoa-Tempo-Lugar. Para usá-la na sua vida, é necessário ter essa visão, a de que a Vida é Deus e que todos são um só diante desta Vida.

Com base nesse conceito, vamos viver uma vida repleta de alegria e felicidade, aproveitando o que a vida nos dá de melhor agora, o reconhecimento da minha filiação divina e o respeito a esta Vida de Deus alojada em mim e no(a) outro(a).

Felicidades sempre!

 

Aspirante a Preletor da Sede InternacionalJosé Maria Coelho

 

 Publicado na revista Mundo Ideal #258 – Janeiro/2016

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