Você ama o que faz?

Todas as pessoas buscam em suas vidas o êxito, em todos os sentidos. É natural que seja assim, pois todos nós desejamos ter uma vida maravilhosa e usufruir os benefícios que uma vida estável pode proporcionar. Afinal, somos filhos de Deus e nascemos para ser felizes.

Para que possamos alcançar essa tão almejada vida estável, essa prosperidade material, precisamos trabalhar, pois nem todos conseguem ganhar na Mega-Sena e viver o resto da vida da renda advinda desse prêmio. Ou alguém acha que esse seria um objetivo a ser alcançado? Será que seríamos felizes assim? Depende do que entendemos por trabalho e dinheiro. Mas saiba que estudar, escolher uma carreira profissional e trabalhar ainda é o melhor caminho para alcançar a prosperidade e a felicidade plena. E é sobre isso que vamos conversar.

Para a maioria dos jovens, essa caminhada se inicia logo aos 17 ou 18 anos, quando eles terminam o ensino médio e precisam escolher suas carreiras e prestar o vestibular. Nessa idade, a grande decisão da sua vida se resume à clássica pergunta: “Você vai prestar vestibular para qual área?”.

A escolha profissional não é uma tarefa muito fácil. A dúvida sempre se faz presente nesse momento e traz até certa angústia para alguns. Ao mesmo tempo que têm acesso a muitas informações, podendo escolher por si mesmos, eles sofrem também uma série de influências. Celebridades das colunas sociais, jogadores de futebol, personagens dos enredos de novelas, de filmes etc. estão constantemente no imaginário dos jovens como modelos de sucesso profissional a ser seguidos, por mostrarem-se bem-sucedidos, prósperos e felizes.

Além disso, a influência dos pais e mentores (parentes, padrinhos, amigos próximos, professores) também é muito forte. Engenharia, Medicina ou Direito ainda aparecem como carreiras de bastante prestígio para eles. Tanto é que há décadas essas áreas se mantêm no topo das dez carreiras mais concorridas dos vestibulares do país.

Enfim, são vários os fatores que acabam influenciando o jovem na escolha da carreira profissional, e, sobre esse tema, podemos encontrar muitos estudos publicados por pedagogos e psicólogos que trabalham na área de orientação vocacional, tecendo os mais variados comentários e orientações aos pais e aos jovens.

Entre essas orientações é comum ouvir sobre a importância do autoconhecimento nesse processo de escolha profissional. Segundo eles, saber identificar quais são os seus ideais de vida, seus sonhos e suas perspectivas em relação a eles é muito importante para a escolha mais acertada. E, nesse ponto, também a Seicho-No-Ie nos fala da importância do sonho, do ideal. Para nós, o ponto fundamental que deve nortear nossa escolha deve ser a máxima do prof. Masaharu Taniguchi: “Jovem, idealize um grande sonho!”.

Sobre isso escreve o prof. Katsumi Tokuhisa no livro Todos podem ter sucesso, p. 13:

“Uma das condições para alguém conseguir bom êxito é ter clara visão. O termo ‘visão’ tem vários significados, mas eu o uso no sentido de imagem do futuro. Tendo visão do próprio trabalho e também de si próprio, a mente passa a trabalhar de forma a perseguir essa visão e, consequentemente, levando-o ao encontro dessa visão”.

Idealizar um grande sonho, ter visão do futuro, tudo isso corresponde a desenhar o nosso destino, direcionar nossa vida rumo à realização desse ideal. É isso que o prof. Tokuhisa diz, quando nos ensina que devemos ter uma visão clara daquilo que queremos para a nossa vida.  Mais à frente ele diz:

“Viver sem uma imagem do futuro desenhada na mente é como tomar um táxi sem destino definido, sem saber como será seu trabalho dali por diante, ou que tipo de pessoa quer ser”.

O sonho não é, portanto, algo ilusório, vago ou indefinido, que pertença à categoria das coisas irrealizáveis. Muito pelo contrário! Precisamos mais do que nunca sonhar, idealizar um futuro maravilhoso, para que ele realmente se torne realidade.

“Todas as obras grandiosas do mundo são produtos de sonhos”, afirma o prof. Masaharu Taniguchi, em A Verdade da Vida, v. 20, p. 222.

Por isso, é muito importante que, aos jovens, seja dada a oportunidade de sonhar, de imaginar algo grandioso, uma grande obra, que vai revolucionar o mundo. Tirar essa oportunidade deles, fazendo-os optar por carreiras tradicionais, é o mesmo que tirar deles toda a esperança de construir um mundo ideal, fazendo-os mergulhar nas asas da desesperança e da desmotivação para a vida.

O autoconhecimento implica também ter o correto discernimento de quem somos, do que é o sucesso, do que é ser bem-sucedido.

O que somos realmente e qual a nossa missão neste mundo? Por terem uma visão materialista do ser humano, muitos acabam colocando como sinônimo de sucesso o quanto de prosperidade material se adquire com o trabalho que está sendo realizado. Daí o conceito de que, se não tenho um ganho financeiro condizente, não sou alguém bem-sucedido.

Somos constantemente bombardeados por propagandas que associam sucesso com a aquisição de determinados bens materiais. Para podermos adquirir esses bens, precisamos ganhar dinheiro. Para ganhar dinheiro, precisamos de uma carreira promissora, que nos dê essas condições. E por aí vai.

Estamos substituindo o “ser” pelo “ter”, e isso é fruto da sociedade materialista, que nos impulsiona para o consumismo. E a cobrança da sociedade pela estabilidade material é forte. Sejam amigos ou familiares, nem sempre ganhamos o apoio deles por termos decidido algo diferente do “ter”.

Conheço um jovem que está em fase pré-vestibular. Entre as várias carreiras chamadas promissoras, escolheu uma que, segundo o padrão vigente, não é tão promissora assim: decidiu estudar História e ser professor e pesquisador. Ele conta que a primeira reação das pessoas ao tomarem conhecimento disso é: “Nossa, bem legal. Acho o máximo. Até faria História também, mas não dá futuro”.

É claro que a discussão sobre a valorização da profissão de professor também nos remete a uma visão materialista do ser humano. No conceito da nossa sociedade materialista, ser professor é uma profissão que não dá prestígio nem dinheiro! Não é como dizer: vou fazer Engenharia.

Não seria a hora de revermos os nossos conceitos, que estão todos baseados num pensamento materialista, e passarmos a enxergar as coisas sob outro ângulo, mais espiritual?

Mesmo no mundo corporativo, é consenso que a remuneração, por si só, não é fator de motivação para o trabalho. O verdadeiro fator motivacional é aquele que traz satisfação pessoal. Ter prazer no trabalho é ponto fundamental. Mas, ao contrário, quando a busca financeira está acima de qualquer outra compensação, aquilo que era para ser prazeroso acaba se tornando um peso, pois, quanto mais se tem, mais se deseja, e a busca se torna sem fim.

Então o que seria essa satisfação pessoal? Segundo os profissionais que trabalham com a motivação de grupos, ela é fruto da sensação de estar envolvido em algo realmente importante, que seja útil, principalmente por ser um trabalho que faz a diferença na vida das pessoas ou de alguém. Quando perguntamos a um profissional de qualquer área o que mais lhe dá prazer no seu trabalho, na sua carreira, ou o que lhe traz mais realização profissional, é exatamente isso que eles respondem.

Assim, o fator financeiro é importante, mas não fundamental. Desenvolver paixão por aquilo que faz, entender a ligação que esse trabalho tem com sua vida e com a vida de outras pessoas, estabelecer valores positivos para avaliar essa tarefa são formas de incutir um significado maior para sua própria vida, no sentido de missão, e assim alcançar não só a realização profissional, mas a satisfação e evolução como um todo. E é isso que a Seicho-No-Ie nos ensina também.

“Faça todos os dias algo em benefício dos outros. Só esta parte que se presta para o bem dos outro é a parte viva da sua vida. A parte da vida que não se presta para o bem dos outros é vida morta. É a de suicídio. Só aqueles que procuram evitar a vida de suicídio é que alcançam grandes progressos”, escreve o prof. Masaharu Taniguchi, em A Verdade da Vida, v. 37, dia 18 de janeiro.

Nesse trecho, o Mestre nos exorta justamente a realizar um trabalho em prol dos outros, que beneficie as pessoas. Nós só seremos vivificados se realizarmos nosso trabalho com esse objetivo.

Devemos também compreender que a verdadeira prosperidade vem como consequência do correto direcionamento das nossas ações, de acordo com uma visão espiritualista, e não materialista. Nós vivemos através da Vida de Deus. Saúde e prosperidade também vêm de Deus. Nós nada podemos através da nossa inteligência humana. “Eu vivo não pela minha própria força, mas pela vida de Deus-Pai, que permeia os céus e a terra” – assim diz o Canto Evocativo de Deus. Vivemos também pelo amor de muitas pessoas, nossos antepassados, nossos pais, nossos familiares. Somos infinitamente abençoados, e abrindo nossos olhos para isso é impossível não brotar em nós um profundo sentimento de gratidão. O sentimento de gratidão nos une a todos e faz com que tenhamos vontade de contribuir para a felicidade de todas as pessoas, todos os seres. É Deus se manifestando através de nós! Quando isso acontece, sintonizamos com a sabedoria de Deus, temos boas ideias que aplicadas no nosso trabalho poderão tornar muitas pessoas felizes. A prosperidade material virá como consequência de desejar a felicidade ao maior número de pessoas. Cumprimos assim o verdadeiro objetivo do trabalho e obtemos a verdadeira satisfação pessoal.

Concluímos então que a relação trabalho-dinheiro não é o ponto fundamental, mas, sim, quanto estamos sendo úteis às pessoas e à sociedade por meio do nosso trabalho.

“Deus, inspirai-me boas ideias que me permitam servir ao maior número possível de pessoas, por meio de trabalhos compatíveis com minha vocação, e dai-me força para realizá-los” (Oração para Prosperar, do livro Minhas Orações, do prof. Masaharu Taniguchi). Orando dessa forma, manifestar-se-á a verdadeira missão para a qual você veio a este mundo.

Muito obrigada!

Aspirante a Preletora da Sede Internacional Kati Satoko Miura

Publicado na revista Mundo Ideal #253 – Agosto/2015

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